China constrói primeiro navio-mãe do mundo para operar enxames de submarinos autônomos
A China constrói em Xangai um navio-mãe para operar enxames de submarinos autônomos de grande porte. A embarcação possui um hangar estanque e sistema de lançamento por deque na popa para mobilidade no oceano. O projeto visa integrar inteligência artificial e drones à estratégia militar de Pequim
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F695%2Fe4d%2Fcca%2F695e4dcca688036cab590482ae2a782e.jpg)
A China desenvolve um navio-mãe inédito, projetado para operar enxames de submarinos autônomos, marcando a primeira vez que uma embarcação com essas características é construída na história. O projeto, identificado por imagens de satélite nos estaleiros Hudong-Zhonghua, em Xangai, visa integrar a inteligência artificial e a tecnologia de drones à estratégia militar de Pequim, inspirando-se em táticas de guerra moderna, como as utilizadas na Ucrânia com drones aquáticos.
Tecnologia de lançamento e estrutura
Diferente de navios de guerra convencionais, a embarcação possui a aparência de um navio de assalto anfíbio, mas com modificações específicas para o transporte de XXLUUV (submarinos autônomos de grande porte). O sistema de lançamento consiste em um deque na popa que se abre completamente, permitindo que uma plataforma, movida por doze braços verticais, desça pelo casco até atingir a linha d'água.
Para a proteção dos equipamentos, a estrutura conta com um hangar estanque na proa do deque inundável. A dimensão desse espaço sugere a capacidade de abrigar cerca de quatro submarinos do tipo XXLUUV.
Comparativo e capacidade operacional
Os submarinos que serão operados por esse navio-mãe possuem entre 35 e 45 metros de comprimento, dimensões que superam de seis a oito vezes o tamanho do modelo Boeing Orca XLUUV, utilizado pela Marinha dos Estados Unidos. Atualmente, Pequim testa dois protótipos para definir qual modelo será fabricado em série.
A evolução logística é significativa:
- Fase anterior: Os testes com XXLUUV dependiam de plataformas flutuantes que precisavam ser rebocadas até o mar aberto para o lançamento e recuperação dos drones.
- Novo modelo: O navio-mãe oferece mobilidade total, permitindo que a Marinha do Exército Popular de Libertação lance e recupere submarinos em qualquer ponto do oceano.
Funções estratégicas no Pacífico
Embora o governo chinês não tenha confirmado o programa, a análise técnica do design — que oculta a carga em um hangar fechado — descarta finalidades civis ou científicas. A embarcação deve atuar como uma base de manutenção flutuante, garantindo a conservação dos submarinos e mantendo-os secos fora de missão.
Em cenários de conflito armado, o navio poderá servir como centro de suporte tático, sendo responsável pelo reabastecimento de combustível, armamento e reparos dos drones durante o combate. O desenvolvimento amplia a disputa tecnológica e militar entre a China e os Estados Unidos pelo controle estratégico do Pacífico.