China desenvolve inteligência artificial para coordenar ataques aéreos com mais de cem aeronaves simultaneamente
Engenheiros militares da China criaram o Zhisheng, sistema de inteligência artificial para coordenar ataques simultâneos de mais de 100 aeronaves. A ferramenta gere prioridades de alvos e instruções em tempo real para caças, bombardeiros e mísseis. O software foi testado em exercícios de larga escala para sincronizar unidades táticas
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Engenheiros militares da China desenvolveram o projeto Zhisheng, a primeira ferramenta de inteligência artificial capaz de coordenar ataques aéreos com mais de 100 aeronaves simultaneamente. O sistema funciona como um "cérebro tático" que assume a gestão de prioridades de alvos, a organização de ondas de ataque e a distribuição de instruções em tempo real para as unidades, integrando a força aérea em um formato de enxame inteligente.
Diferente de tecnologias anteriores, que se limitavam ao controle de drones autônomos, esta ferramenta atua como um general de campo com visão global do cenário bélico, sendo capaz de dirigir unidades tripuladas por humanos para superar forças inimigas que não utilizam coordenação por IA.
Operação e implementação técnica
Apresentado em documentário pela emissora pública CCTV, o sistema é descrito como um "sistema de sistemas" já testado em diversas ocasiões. Durante exercícios de larga escala, o software permitiu que mais de 100 unidades táticas sincronizassem ataques em frações de segundo, superando a capacidade de cálculo dos métodos tradicionais.
A coordenação do sistema abrange diversas plataformas de combate, incluindo:
- Caças furtivos J-20, J-16 e J-10C;
- Bombardeiros H-6K;
- Múltiplos sistemas de mísseis.
Em demonstrações de centros de comando, a tecnologia mostrou a eficácia de mísseis lançados de diferentes bases atingindo alvos terrestres e marítimos após a ordem de abertura de fogo. O coronel Deng, líder do projeto, destacou que o maior desafio não foi a programação, mas a tradução da lógica do campo de batalha — abrangendo poder de fogo, penetração e avaliação de danos — para o código, já que qualquer erro lógico poderia comprometer o resultado da operação.
Integração de hardware e consciência situacional
O projeto transforma aeronaves de nova geração, como o J-20, J-35 e J-16, em plataformas de combate integradas. Esses aviões agora operam em via dupla: executam instruções da IA e, simultaneamente, utilizam sua própria consciência situacional para detectar alvos ocultos e alimentar o sistema central.
A eficácia da ferramenta foi testada inclusive com o avião de alerta precoce KJ-500A. Em cenários de interferência eletromagnética e presença de iscas a baixa altitude, o sistema conseguiu identificar as intenções do adversário e direcionar caças precisamente ao nó de comando inimigo.
Essa fusão entre a detecção de alvos e a alocação de forças encurta a cadeia de tomada de decisão, transformando a superioridade do hardware em vantagem operacional.
Contexto estratégico e geopolítico
O lançamento do Zhisheng ocorre após ordens do presidente Xi Jinping para que o Exército chinês aprofunde a aplicação de tecnologias inteligentes não tripuladas e sistemas de informação em rede para a construção de um sistema militar inteligente.
Enquanto os Estados Unidos desenvolvem iniciativas como o Projeto Maven, a abordagem chinesa apresenta uma distinção fundamental: enquanto o projeto americano foca na análise de inteligência e consciência situacional, a ferramenta de Pequim é voltada para a coordenação direta de ataques. Em conflitos de alta intensidade, essa capacidade de acelerar os ciclos de decisão e organizar ataques na velocidade de processamento de máquinas é vista como um fator determinante para a vitória.