Mundo

China desenvolve software de inteligência artificial para automatizar a criação de componentes mecânicos militares

27 de Maio de 2026 às 18:09

A China desenvolveu o ChatBearing, software da Universidade de Chongqing que automatiza o projeto de rolamentos mecânicos para setores como aviação e defesa. A ferramenta reduz o tempo de criação para menos de três minutos, produzindo peças 4% mais leves e superando modelos comerciais de IA

China desenvolve software de inteligência artificial para automatizar a criação de componentes mecânicos militares
Una ilustración de un arma láser china hipotética en órbita terrestre.

A China está alterando a dinâmica da corrida armamentista global ao integrar a inteligência artificial diretamente em sua base industrial, contrastando com a estratégia dos Estados Unidos, que prioriza o uso da tecnologia como ferramenta tática em campo de batalha. O objetivo de Pequim é superar a superioridade técnica norte-americana em áreas como drones e caças de sexta geração, focando na capacidade de fabricação em massa e na rápida adaptação de hardware.

Um avanço central nessa estratégia é o ChatBearing, software autônomo desenvolvido por cientistas da Universidade de Chongqing. A ferramenta automatiza todo o fluxo de projeto de rolamentos mecânicos — componentes essenciais para o funcionamento de radares, veículos blindados e motores de aviação, que evitam a desintegração das peças por fricção. O algoritmo realiza cálculos estruturais, prevê o desgaste de materiais e redige a documentação técnica sem necessidade de intervenção humana.

A eficiência do sistema reduz o tempo de projeto de um engenheiro para menos de três minutos, resultando em peças cerca de 4% mais leves do que as produzidas por métodos convencionais. Em testes físicos, o software já viabilizou a fabricação de componentes para turbinas de energia renovável, transmissões de carros elétricos e aviação de helicópteros.

Para chegar a esse nível de precisão, o ChatBearing processou 4.500 parâmetros técnicos baseados em normas industriais chinesas e catálogos de um fabricante sueco. Huaiju Liu, pesquisador do Laboratório Estatal Chave de Transmissão Mecânica para Equipamentos Avançados da Universidade de Chongqing, demonstrou que o sistema supera modelos comerciais como o Gemini-2.5-Pro-0506 e o Qwen3-235B-A22B, com pontuações de design 21,1% e 43,6% superiores, respectivamente.

A publicação dos detalhes técnicos em uma revista acadêmica chinesa especializada em sistemas aeroespaciais e mísseis indica que a automação de rolamentos é a etapa inicial de um plano para migrar o desenvolvimento de armamentos da fase de "digitalização" para a "inteligência". Essa abordagem aproveita a infraestrutura fabril da China, que já domina setores como automação robótica, refino de terras raras e baterias.

Apesar do salto tecnológico, a implementação total no setor militar enfrenta a barreira do isolamento cibernético. As redes de defesa nacional chinesas operam desconectadas da internet pública para evitar espionagem e sabotagem. Como não existe atualmente uma plataforma de IA classificada e independente, os testes de engenharia com esse software permanecem limitados a ambientes civis ou de acesso parcial. A plena integração do design assistido por IA ao arsenal militar exigirá a criação de um ecossistema de infraestrutura de segurança completamente novo.

Notícias Relacionadas