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China manifesta oposição à hegemonia dos Estados Unidos sobre a inteligência artificial em fórum na Malásia

09 de Setembro de 2026 às 06:28 4 min de leitura

A China manifestou oposição à hegemonia dos Estados Unidos sobre a inteligência artificial, alertando para os riscos da militarização da tecnologia. Durante o Diálogo de Paz de Penang, Victor Gao defendeu o uso de código aberto e citou o controle de terras raras como forma de evitar usos nocivos

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China manifesta oposição à hegemonia dos Estados Unidos sobre a inteligência artificial em fórum na Malásia
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A China manifestou formalmente sua oposição a qualquer tentativa de hegemonia global sobre a inteligência artificial, alertando que a priorização da militarização da tecnologia pelos Estados Unidos pode transformá-la em uma ferramenta nociva. A declaração foi feita por Victor Gao, vice-presidente do Centro para a China e a Globalização, durante o Diálogo de Paz de Penang, na Malásia, evento que reuniu cerca de 200 líderes empresariais, políticos e acadêmicos de diversos continentes para discutir a cooperação em um mundo multipolar.

Para Gao, a determinação de Pequim em liderar o setor não visa a dominação, mas sim evitar que uma única nação controle a tecnologia. Ele argumentou que a abordagem chinesa, baseada em código aberto, contrasta com as estratégias de código fechado adotadas por Washington. O representante chinês afirmou ainda que o controle de Pequim sobre as terras raras, essenciais para componentes de alta tecnologia, serve como um mecanismo para impedir que os EUA utilizem a IA para fins nefastos.

A militarização da tecnologia e a geopolítica

O debate no fórum destacou a integração da IA em mísseis balísticos, drones e dispositivos cotidianos como parte de uma estratégia americana de manutenção de poder. Jeffrey Sachs, economista da Universidade de Columbia, corroborou a visão de Gao, afirmando que os Estados Unidos são movidos por um "complexo militar-industrial-digital", onde empresas do Silicon Valley mantêm vínculos estreitos com o Pentágono.

Sachs argumentou que a tentativa de Washington de usar sua vantagem financeira e tecnológica, sustentada pelo sistema do dólar, para manter a hegemonia global é irreal. Segundo o economista, o centro de gravidade econômico e populacional migrou para a Ásia, região que hoje gera mais da metade do crescimento mundial, tornando a meta americana impossível do ponto de vista financeiro e militar.

Modelos de desenvolvimento e a "equação" tecnológica

A disputa também passa pela forma como a tecnologia é implantada. Joanna Lei, presidente da Liga Nacional de Mulheres de Taiwan, apontou que o modelo Kimi K3, de código aberto da China, altera a lógica tradicional ocidental. No modelo ocidental, grandes investimentos criam ecossistemas onde quem detém os recursos dita as regras, estratégia já aplicada com sucesso na indústria de semicondutores. Embora o Kimi K3 ainda não supere a tecnologia dos EUA, ele desloca a competição da busca pelo modelo mais potente para a implementação em larga escala.

Riscos bélicos e a autonomia das máquinas

A aplicação militar da IA já é uma realidade concreta. EUA e China lideram o desenvolvimento de caças e enxames autônomos de drones para missões de ataque, reconhecimento e logística. Paul Scharre, do CNAS, observou que drones já são utilizados globalmente em conflitos no Iêmen, Líbia, Síria, Iraque, Alto Karabaj e Ucrânia.

A evolução técnica é acelerada: desde 2010, a capacidade de cálculo do aprendizado de máquina cresceu dez bilhões de vezes. Isso permite a criação de enxames onde as unidades se comunicam e decidem trajetórias autonomamente, como já testado por Israel. Vincent Boulanin, do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo, ressalta que essa autonomia pode tornar os campos de batalha totalmente transparentes, eliminando a possibilidade de invisibilidade.

O cenário da "singularidade bélica"

Pesquisadores chineses alertam para a possibilidade de uma "singularidade bélica", em que a velocidade do combate controlado por IA supere a capacidade de resposta humana. Nesse cenário, as nações seriam forçadas a delegar decisões a máquinas para não sucumbirem a adversários que já o fizeram.

Diante disso, organizações como o Comité Internacional da Cruz Vermelha e o grupo Stop Killer Robots defendem um tratado vinculante que proíba armas autônomas contra seres humanos. No entanto, as negociações na ONU, em Genebra, estão paralisadas há quase dez anos. Enquanto Estados Unidos e Rússia rejeitam restrições, a China propõe a proibição do uso, mas não da fabricação. Para analistas como Scharre, a postura de Pequim é vista como uma manobra diplomática para ganhar prestígio enquanto continua a desenvolver o armamento.

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