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Colômbia decide entre modelos opostos de gestão no segundo turno das eleições presidenciais

21 de Junho de 2026 às 09:02

Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda disputam o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia neste domingo, 21 de junho. No primeiro turno, De la Espriella obteve 43,7% dos votos e Cepeda 40,9%. Os candidatos representam, respectivamente, agendas conservadora e progressista

A Colômbia se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais neste domingo, 21 de junho, com a disputa concentrada entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda. O cenário reflete a divisão do país entre dois modelos de gestão opostos: De la Espriella, advogado e "outsider", defende uma agenda conservadora e de linha dura, inspirada em lideranças como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele. Já Cepeda, senador e filósofo, representa a esquerda e busca dar continuidade ao projeto progressista do atual presidente Gustavo Petro, com foco em reformas sociais e uma abordagem conciliadora na segurança.

Os números do primeiro turno indicam um equilíbrio na disputa, com De la Espriella obtendo 43,7% dos votos e Cepeda 40,9%. Essa polarização, no entanto, possui raízes territoriais e econômicas profundas. Desde o plebiscito de 2016 sobre o acordo de paz com as Farc, observa-se uma tendência de votação geográfica: as regiões periféricas — que incluem a Amazônia, os litorais e a fronteira com a Venezuela — tendem a apoiar a esquerda. Essas áreas, marcadas por economias extrativistas e maior vulnerabilidade social, são frequentemente afetadas pela violência de grupos armados e narcotráfico devido à baixa presença do Estado. Cepeda consolidou seu apoio nessas regiões por meio do Pacto Histórico, atraindo comunidades indígenas e afro-colombianas.

Em contrapartida, as regiões centrais, atravessadas pelos Andes e baseadas em um sistema agroindustrial integrado às cidades, inclinam-se para a direita. Nas grandes metrópoles, como Bogotá, Medellín, Cali e Barranquilla, a divisão segue a linha da renda: as classes média e alta preferem De la Espriella, enquanto as camadas mais pobres tendem a votar em Cepeda.

As propostas econômicas reforçam esse distanciamento. De la Espriella propõe a redução do tamanho do Estado e a diminuição de impostos para empresas. Cepeda, por outro lado, defende a ampliação do papel estatal, o apoio a pequenas empresas e a transformação do campo no motor econômico da nação.

Historicamente, essa fragmentação remete à antiga disputa entre os partidos Conservador e Liberal, que dominaram a política colombiana até o início do século XX. Atualmente, as pautas conservadoras andinas e as liberais do litoral foram absorvidas por novos movimentos. Setores que anteriormente apoiavam Álvaro Uribe agora se identificam com o populismo de direita de De la Espriella, enquanto eleitores que votavam no Partido Liberal ou em Juan Manuel Santos migraram para a esquerda de Petro e Cepeda.

O contexto social também é influenciado pelos protestos de 2021 contra o modelo econômico e a política tradicional durante o governo de Iván Duque. A repressão estatal daquela época, criticada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, impulsionou novas demandas identitárias que agora colidem com movimentos de reação.

Apesar da narrativa de um país dividido, a volatilidade do eleitorado sugere que a polarização pode não ser tão estática. A forte base católica e cristã da Colômbia favorece discursos de autoridade e moralidade, como os de De la Espriella, mas há uma parcela significativa da população que não se identifica rigidamente com a direita ou a esquerda, movendo-se conforme preocupações imediatas e sensíveis. Enquanto o marketing de De la Espriella foca em família e combate ao crime, a esquerda se beneficia da unificação em torno da figura de Petro, atraindo eleitores que, embora entusiastas do discurso presidencial, não necessariamente se definem como defensores de minorias ou militantes de esquerda.

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