Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos aprova construção de arco triunfal em Washington
A Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos aprovou a construção de um arco de 76 metros às margens do Rio Potomac, em Washington. O projeto, impulsionado por Donald Trump para o 250º aniversário da independência do país, enfrenta oposição judicial de historiadores e veteranos
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A Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (21), o projeto de construção de um arco triunfal em Washington, iniciativa impulsionada pelo presidente Donald Trump. O monumento, que terá aproximadamente 76 metros de altura e será erguido às margens do Rio Potomac, foi validado por comissários nomeados pelo próprio presidente, apesar da resistência pública.
Com design elaborado pelo escritório Harrison Design, a obra remete ao Arco do Triunfo de Paris. A estrutura contará com duas águias douradas e uma figura similar à Estátua da Liberdade segurando uma tocha no topo. As inscrições "Uma Nação Sob Deus" e "Liberdade e Justiça para Todos", trechos do juramento de fidelidade estadunidense, também integrarão o monumento, que oferecerá um mirante com vista panorâmica de 360 graus da capital.
O projeto, anunciado em abril, é justificado por Trump como uma celebração do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. O presidente e o secretário do Interior, Doug Burgum, sustentam que Washington é a única grande capital ocidental que não possui um arco triunfal. O terreno da obra está sob a responsabilidade do Serviço Nacional de Parques, órgão supervisionado pelo Departamento do Interior.
A construção enfrenta oposição jurídica. Um historiador e um grupo de veteranos recorreram à Justiça federal para impedir a obra, alegando que o arco obstruiria a linha de visão entre a Arlington House, no Cemitério Nacional de Arlington, e o Memorial Lincoln.
Paralelamente, Trump propôs a instalação de um revestimento azul no interior do espelho d’água do Memorial Lincoln para as comemorações de 4 de julho. Essa medida também foi contestada judicialmente pela organização The Cultural Landscape Foundation, que argumenta a violação de leis federais de preservação histórica devido à ausência de revisões técnicas. Para a entidade, as intervenções fazem parte de uma estratégia para alterar o caráter histórico de Washington sem a análise necessária. Uma audiência sobre o tema estava prevista para esta quinta-feira em um tribunal federal.
Essas mudanças integram um conjunto de intervenções arquitetônicas na capital. Em outubro de 2025, teve início a construção de um salão de baile de US$ 200 milhões na ala leste da Casa Branca. O novo espaço, com cerca de 8,4 mil m², ampliará a capacidade de recepção de jantares de 200 para 650 pessoas. Além disso, Trump anunciou em março a criação de um complexo militar subterrâneo sob a Casa Branca, embora não tenha detalhado a finalidade ou o funcionamento da instalação, que é inédita na história do país.