Comissão Europeia planeja triplicar a capacidade de processamento de dados para expandir a inteligência artificial
A Comissão Europeia planeja triplicar a capacidade de processamento de dados na Europa em até sete anos para suprir a carência de infraestrutura digital. A estratégia inclui o projeto EURO-3C, que integra nuvem, telecomunicações e IA em mais de 13 países
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A crescente demanda por inteligência artificial (IA) em setores estratégicos da Europa, como saúde, energia, transportes, indústria, bancos e gestão pública, expôs a insuficiência da infraestrutura digital do continente. A carência de capacidade em data centers, computação de alto desempenho, conectividade avançada, nuvem, segurança cibernética e computação de borda tornou-se um entrave para a expansão da tecnologia nos processos produtivos europeus.
Para reverter esse cenário, a Comissão Europeia integrou a questão ao "AI Continent Action Plan" e ao futuro "Cloud and AI Development Act". O objetivo dessas iniciativas é fortalecer o ecossistema de nuvem e IA, ampliar investimentos e acelerar a implementação de data centers sustentáveis. O plano prevê a triplicação da capacidade de processamento de dados na Europa em um período de cinco a sete anos, facilitando o acesso a financiamento, solo, água e energia.
O diagnóstico da deficiência estrutural é corroborado por dados de mercado. Em janeiro de 2026, a Nokia indicou que, embora 84% de um grupo de mil empresas tenham incluído a IA em suas estratégias de crescimento, 75% delas veem a infraestrutura atual como um limitador para a execução desses planos.
Nesse contexto, a busca por autonomia estratégica e soberania tecnológica tornou-se prioridade. A Connect Europe defende que a competitividade do bloco depende de redes robustas, escaláveis e avançadas, classificando a conectividade como a base invisível necessária para a prosperidade de um ecossistema de nuvem soberano.
A Telefónica tem reforçado a tese de que a competitividade europeia exige o desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias. Em 3 de junho, durante o "Cercle d'Economia", o presidente da companhia, Marc Murtra, argumentou que o controle sobre semicondutores, infraestrutura digital, energia e IA é essencial para a defesa dos valores europeus e para a competição em um mercado dominado por sistemas autônomos e computação quântica.
Como aplicação prática dessa visão, a Telefónica, em parceria com a Comissão Europeia e outras 70 entidades, lançou em março o projeto EURO-3C. A iniciativa estabelece uma infraestrutura soberana paneuropeia que integra nuvem, telecomunicações, IA e borda sob um modelo seguro e federado. O sistema opera com mais de 70 nós de borda e nuvem distribuídos por mais de 13 países, visando a oferta de serviços digitais para as áreas de segurança pública, energia, transporte e setor automotivo.
Esses esforços, que incluem a criação de gigafábricas e a expansão de data centers, buscam garantir que pesquisadores, startups, empresas e administrações públicas tenham a capacidade técnica necessária para desenvolver e implementar aplicações de inteligência artificial dentro do território europeu.