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Consumo de K-pop influencia desejo de migração e adaptação de desertores da Coreia do Norte

27 de Julho de 2026 às 06:14

O consumo clandestino de K-pop, com destaque para grupos como BTS e Blackpink, ocorre na Coreia do Norte via dispositivos eletrônicos sob risco de prisão ou execução. Pesquisas de 2023 indicam que 98% dos desertores assistiram a produções sul-coreanas, influenciando hábitos e o desejo de migrar. A música auxilia na integração social e no suporte psicológico de refugiados na Coreia do Sul

Consumo de K-pop influencia desejo de migração e adaptação de desertores da Coreia do Norte
HYBE/Big Hit Music via BBC

O consumo de K-pop e a influência de grupos como o BTS e Blackpink tornaram-se ferramentas de resistência e janelas para o mundo exterior em meio ao regime repressivo da Coreia do Norte. Para muitos desertores, a música sul-coreana não é apenas entretenimento, mas um elemento que desperta a curiosidade sobre a liberdade e auxilia na adaptação cultural após a fuga para o Sul.

O risco do consumo clandestino

Apesar de a Coreia do Norte impor vigilância rigorosa e punições severas, a cultura popular do Sul penetra no país através de cartões SD, aparelhos de MP3 e antenas de televisão que captam sinais marítimos. O acesso a esses conteúdos é considerado crime, podendo levar à prisão ou execução. Em 2022, relatos indicam que três adolescentes foram executadas publicamente por distribuir materiais sul-coreanos.

Mesmo sob a ameaça de "sessões públicas de crítica" nas escolas, a demanda persiste. Uma pesquisa de 2023 revelou que 98% dos desertores assistiram a filmes ou dramas do Sul enquanto viviam sob a ditadura de Kim Jong-un, e 80% afirmam que esse contato influenciou seus hábitos de vestimenta, fala e despertou o desejo de migrar.

A influência do BTS e a cultura pop

O grupo BTS (Bangtan Sonyeondan) alcançou tamanha penetração que seu nome foi incorporado ao vocabulário cotidiano no Norte, sendo utilizado em referências a objetos como mochilas e coletes. A música Dynamite, lançada em 2020, tornou-se um marco inclusive por ser o primeiro single do grupo inteiramente em inglês, chegando aos ouvidos de quem vivia em condados costeiros.

Além do BTS, outros grupos como Girls' Generation, Teen Top e 2PM também circularam clandestinamente. A estética dos ídolos, com cabelos coloridos e coreografias precisas, causou impacto inicial nos jovens norte-coreanos, que passaram a imitar passos de dança, como os do grupo Teen Top, transformando a prática em uma moda entre adolescentes.

Impacto emocional e integração social

Para quem consegue cruzar a fronteira, a música serve como um suporte psicológico para lidar com traumas e a dificuldade de integração na Coreia do Sul.

  • Identidade e Aceitação: A comunidade de fãs do BTS, conhecida como ARMY, oferece um espaço de acolhimento onde a origem norte-coreana é aceita sem preconceitos, combatendo a discriminação enfrentada em entrevistas de emprego.
  • Cura e Esperança: Letras focadas em autoaceitação, como as da trilogia Love Yourself, e canções sobre saudade, como Spring Day, conectam-se com a experiência de perda e isolamento dos refugiados.
  • Superação: A trajetória de esforço dos artistas é vista como um espelho, motivando desertores a persistirem em suas novas vidas.

A música sul-coreana, que começou como um "balão de oxigênio" em um regime de medo, consolidou-se para esses indivíduos como o caminho para a descoberta da liberdade de expressão e a reconstrução da própria identidade.

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