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Cuba enfrenta crise energética sem precedentes com apagões de até 12 horas por dia

27 de Fevereiro de 2026 às 09:04

Cuba enfrenta crise energética sem precedentes devido ao endurecimento do bloqueio imposto pelos EUA a partir de janeiro deste ano. Os apagões elétricos podem durar até 12 horas em Havana e praticamente o dia todo nas províncias do interior da ilha. Além disso, os preços de produtos básicos aumentaram drasticamente nas últimas semanas

Cuba enfrenta crise sem precedentes, afetada pelo endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a partir de janeiro deste ano. A população da ilha caribenha relata que o país está vivendo seu "pior momento" desde a Revolução Cubana em 1959.

A arquiteta Ivón Rivas, mãe de um menino de nove anos chamado Robin, relatou que os apagões de energia elétrica se tornaram imprevisíveis e mais prolongados. Segundo ela, antes havia cerca de quatro horas sem eletricidade por dia na capital Havana, mas agora isso pode durar até 12 horas.

A crise energética é ainda mais grave nas províncias do interior da ilha, onde os apagões podem durar praticamente o dia todo. A economista aposentada Feliz Jorge Thompson Brown avalia que esse momento atual é o período mais difícil de Cuba desde a década de 1990, conhecida como "período especial", quando a queda do bloco socialista liderado pela União Soviética privou Cuba dos principais parceiros comerciais.

Além disso, os cubanos relatam que os preços de produtos básicos aumentaram drasticamente nas últimas semanas. Arroz, óleo e carne de frango são alguns dos itens essenciais que se tornaram muito mais caros para a população da ilha.

O endurecimento do bloqueio energético imposto pelos EUA é uma política "genocida" segundo o governo cubano, pois visa privar o povo cubano dos seus meios de subsistência. O bloqueio econômico contra Cuba já dura 66 anos e foi intensificado com a pandemia da covid-19.

Os apagões não apenas afetam os serviços básicos como água, telefonia e internet, mas também têm reduzido a mobilidade em Havana. O transporte público está limitado à manhã e tarde de cada dia, enquanto o transporte privado se tornou inviável para muitos cubanos.

A crise energética também tem agravado o acesso aos medicamentos e à saúde pública na ilha caribenha. Os médicos são pessoas comuns do povo que têm dificuldade em locomover-se devido ao escassez de combustível, resultando no cancelamento de consultas e priorização do atendimento de emergência.

A educação ainda é mantida apesar da crise energética, mas o acesso à cultura também tem sido possível graças a centros culturais que continuam funcionando. O filho de Ivón Rivas segue matriculado em uma aula de música gratuita próxima da sua residência.

Para os cubanos entrevistados, é improvável que a política dos EUA consiga atingir seu objetivo, o qual seria mudar o regime político na ilha. "O cubano acorda e só pensa em garantir comida para sua família", diz Ivón Rivas.

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