Cultivo de coca na Colômbia atinge recorde e supera a marca de 250 mil hectares
O cultivo de coca na Colômbia superou 250 mil hectares, sendo responsável por 70% da oferta global de cocaína. O cenário reflete falhas no Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos e a implementação do novo projeto piloto *RenHacemos
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A Colômbia enfrenta um cenário crítico com o cultivo de coca atingindo níveis recordes, superando a marca de 250 mil hectares. O avanço da plantação, matéria-prima para a produção de cocaína, reflete a fragilidade de programas governamentais de substituição de cultivos e a persistência de fatores econômicos e sociais que empurram agricultores de volta à ilegalidade.
Atualmente, estima-se que 70% da oferta global de cocaína seja proveniente do território colombiano. A atratividade da planta reside na rentabilidade e na logística: as colheitas são rápidas, permitindo até quatro ciclos anuais, além de possuírem preços de venda previsíveis e transporte simplificado. Entre 2014 e 2019, a economia da coca chegou a elevar o PIB municipal em até 10% em determinadas regiões.
Falhas no Programa Nacional de Substituição
Como parte do acordo de paz de 2016 com as FARC, o governo lançou o Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos Ilícitos (PNIS). A iniciativa prometeu apoio técnico, orientações de manejo de solo e auxílio financeiro para cerca de 100 mil famílias. O acordo previa o pagamento de 36 milhões de pesos colombianos (aproximadamente R$ 57 mil) ao longo de dois anos para cada família que abandonasse a coca.
Apesar da adesão inicial, a execução do PNIS foi marcada por problemas estruturais:
- Atrasos sistemáticos nos pagamentos;
- Ausência de assistência técnica prometida;
- Precariedade da presença estatal em zonas rurais;
- Falta de infraestrutura viária, dificultando a escoa a de produtos legais, como banana e mandioca.
A mudança de diretriz política também impactou a eficácia do projeto. Em 2018, a gestão de Iván Duque priorizou a erradicação forçada e a segurança, reduzindo o foco na substituição. Quando Gustavo Petro assumiu a presidência em 2022, o programa já enfrentava severos atrasos e dificuldades de implementação.
Insegurança e Demanda Global
A transição para economias lícitas é dificultada por um cenário de segurança instável. Embora as FARC tenham sido desmobilizadas, outros grupos armados preencheram esse vácuo, assumindo o controle de rotas de tráfico e economias locais. O governo Petro tenta mitigar isso através da política de "Paz Total", buscando negociações com facções criminosas, embora os avanços sejam considerados limitados.
Externamente, a pressão é mantida pela alta demanda por cocaína nos Estados Unidos e na Europa, além da abertura de novos mercados internacionais. Esse cenário garante que a oferta continue sendo lucrativa para o produtor rural.
Novas Estratégias e Ceticismo no Campo
Para tentar corrigir as falhas do PNIS, o governo implementou recentemente o RenHacemos. Diferente das tentativas anteriores, este programa piloto foca na diversificação econômica total, indo além da troca da planta. O plano inclui melhorias em conectividade digital, acesso ao ensino superior, habitação e infraestrutura de transportes, tratando a substituição como a troca de todo um modelo de negócio, desde a logística até a agroindústria.
No entanto, a confiança dos agricultores permanece baixa. Em regiões remotas da província de Meta, produtores que chegaram a plantar culturas legais voltaram à coca em 2024 por falta de trabalho e assistência estatal. Para esses trabalhadores, a planta não representa um desejo de criminalidade, mas a única alternativa de subsistência diante do abandono do Estado.