Mundo

Desinformação dificulta o controle de surto de ebola na República Democrática do Congo

11 de Junho de 2026 às 12:09

Notícias falsas e desinformação dificultam o controle de um surto de ebola na República Democrática do Congo, que já registrou 115 mortes. A descrença da população gera ataques a profissionais de saúde e impede o rastreamento de contatos. Para enfrentar a crise, a ActionAid propõe parcerias com líderes comunitários e sobreviventes

Desinformação dificulta o controle de surto de ebola na República Democrática do Congo
JOSPIN MWISHA / AFP

A disseminação de notícias falsas compromete a contenção de um surto de ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde a epidemia já causou 115 mortes. O cenário de desinformação, impulsionado pelas redes sociais, manifesta-se em publicações com amplo alcance, como um post no X que superou 41 mil curtidas, e em crenças locais que atribuem os óbitos à febre ou a feitiçaria. Na província de Ituri, epicentro da crise, a ONG ActionAid estima que quase um terço da população acredita que a doença seja uma invenção para atrair auxílio estrangeiro ou para gerar lucro às autoridades.

Esse clima de descrença gera impactos diretos na assistência médica. Pacientes frequentemente buscam tratamento apenas em estágios terminais da doença, e famílias ocultam informações, o que inviabiliza o rastreamento de contatos. A resistência chega a níveis violentos: profissionais de saúde e agentes governamentais foram agredidos, e, no final de maio, trabalhadores que realizavam um sepultamento sob protocolo na cidade de Bunia quase foram mortos a pauladas por parentes do falecido. No mês anterior, a família de um paciente incendiou duas tendas da ONG Alima em um hospital de Ituri ao tentar recuperar um corpo, ignorando as normas de segurança sanitária.

A epidemiologista Hemes Nkwa observa que a desinformação, embora presente em surtos anteriores, intensificou-se com as plataformas digitais e reflete uma crise de confiança estrutural. Para reverter esse quadro, a ActionAid defende a colaboração estreita com as comunidades e a capacitação de embaixadores que transmitam orientações nos idiomas locais. A estratégia de saúde pública prevê a aliança com figuras de credibilidade social, como líderes comunitários, sobreviventes da doença e curandeiros tradicionais, para ampliar a aceitação dos cuidados médicos e a eficácia da resposta sanitária.

Notícias Relacionadas