Diretor da CIA e autoridades de Cuba reúnem-se em Havana para discutir diálogo bilateral
O diretor da CIA reuniu-se com autoridades cubanas em Havana para entregar uma mensagem de Donald Trump e discutir cooperação em segurança. Paralelamente, Cuba enfrenta crise energética com falta de combustíveis e protestos sociais, enquanto os Estados Unidos oferecem US$ 100 milhões em ajuda humanitária via organizações independentes
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O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana com o ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, o chefe dos serviços de inteligência de Cuba e Raúl Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro. O encontro teve como objetivo a entrega de uma mensagem do presidente Donald Trump e a tentativa de aprimorar o diálogo bilateral. Durante a reunião, Cuba informou que não representa ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, enquanto a CIA condicionou o engajamento em pautas de segurança e economia a mudanças fundamentais no governo cubano. Ambos os lados manifestaram interesse em cooperar na área de aplicação da lei para garantir a segurança regional e internacional.
A aproximação ocorre em meio a uma crise energética crítica na ilha. O ministro da Energia, Vicente de la O Levy, alertou que Cuba esgotou suas reservas de diesel e óleo combustível, essenciais para as usinas termelétricas. A situação é agravada pelo bloqueio petrolífero liderado por Washington, que resultou em apagões de até 22 horas diárias em áreas de Havana. A escassez impactou o funcionamento de hospitais, forçou o fechamento de repartições públicas e escolas, além de prejudicar o turismo. Recentemente, apenas um navio russo entregou 100 mil barris de petróleo, volume que já foi totalmente consumido.
O cenário de desabastecimento provocou instabilidade social. Após cortes de energia no leste do país e na capital, centenas de pessoas protestaram em Havana com lixo em chamas e cobranças por eletricidade, sendo este o maior volume de manifestações isoladas desde janeiro. O presidente Miguel Díaz-Canel admitiu a tensão na ilha, atribuindo a responsabilidade aos Estados Unidos.
Paralelamente, o Departamento de Estado americano renovou a oferta de US$ 100 milhões em assistência humanitária para mitigar os efeitos do bloqueio. No entanto, Washington exige que a distribuição seja coordenada por organizações independentes e pela Igreja Católica, evitando a intermediação do governo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que Cuba está aberta a ouvir os detalhes da proposta, mas questionou se a ajuda seria material ou financeira. Rodríguez defendeu que a solução efetiva seria a suspensão das sanções econômicas, comerciais e financeiras, classificando as medidas impostas em maio contra funcionários cubanos como ilegais.
O isolamento energético de Cuba foi intensificado após Donald Trump ameaçar tarifar países que fornecessem combustível à ilha. Isso levou o México a reduzir os envios e a Venezuela a interromper as exportações de hidrocarbonetos após a operação militar americana que derrubou Nicolás Maduro em 3 de janeiro.
Apesar das tentativas de diálogo, a pressão de Washington persiste. Autoridades americanas preparam uma acusação formal contra Fidel e Raúl Castro referente ao abatimento de um avião do grupo Brothers to the Rescue em 1996, em águas internacionais.