Documentos revelam que Robert F. Kennedy Jr. viajou a Samoa para estudar vacinas em 2019
Documentos revelam que Robert F. Kennedy Jr. viajou a Samoa em 2019 para estudar vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, contrariando declarações feitas ao Congresso. O secretário de Saúde solicitou a avaliação via Children's Health Defense para investigar mortes infantis ligadas a doses contaminadas
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Documentos obtidos recentemente contradizem as declarações de Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde dos Estados Unidos, sobre a motivação de sua viagem a Samoa em 2019. Embora tenha negado repetidamente ao Congresso que a visita tivesse relação com imunizantes, uma carta enviada por ele ao então primeiro-ministro do país, Tuilaepa Sailele Malielegaoi, revela o interesse explícito em estudar as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola utilizadas na região.
No documento, datado de janeiro de 2019 e escrito em papel timbrado da Children's Health Defense (CHD) — organização sem fins lucrativos de atuação antivacina da qual Kennedy era presidente —, o secretário solicitou a realização de uma "avaliação detalhada de informática em saúde". O objetivo era investigar se a morte de duas crianças, ocorrida após a aplicação de doses contaminadas preparadas incorretamente por enfermeiras, estaria ligada a problemas em diferentes lotes de vacinas.
Impacto na saúde pública de Samoa
A visita de Kennedy, ocorrida entre maio e junho de 2019, aconteceu em um cenário crítico. Após as mortes causadas por erro humano, o governo de Samoa suspendeu a vacinação por dez meses, resultando em uma queda drástica nas taxas de imunização.
Durante a estadia no país, Kennedy reuniu-se com ativistas antivacinas. De acordo com profissionais de saúde pública, essa interação fortaleceu movimentos contrários à vacinação local, o que teria prejudicado os esforços para conter um posterior surto de sarampo. A epidemia resultou na morte de 83 pessoas, a maioria delas crianças com menos de cinco anos.
Contradições no processo de confirmação
As revelações colocam em xeque a veracidade dos depoimentos de Kennedy durante sua sabatina no Senado. Para conquistar a aprovação, especialmente de parlamentares republicanos céticos, ele afirmou categoricamente que sua ida a Samoa não havia influenciado decisões sobre vacinação nem tinha relação com o tema.
Um dos apoios decisivos veio do senador Bill Cassidy, médico e defensor da vacinação, que condicionou seu voto à promessa de Kennedy de manter inalteradas as políticas e o comitê federal de aconselhamento sobre vacinas. No entanto, após assumir o cargo, o secretário demitiu os 17 membros do comitê para nomear seus próprios conselheiros, levando Cassidy a declarar publicamente que a confiança depositada no colega foi violada.
Implicações legais e políticas
Embora Kennedy não estivesse sob juramento durante as audiências, a lei americana prevê que fornecer depoimentos materialmente falsos ao Congresso é crime, passível de prisão. Advogados especializados em procedimentos do Senado indicam que tais declarações poderiam fundamentar a abertura de investigações ou processos de impeachment. Contudo, a probabilidade de tais medidas é considerada baixa, dado que o Congresso é controlado por republicanos alinhados ao governo de Donald Trump.
Questionado sobre o caso, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) manteve a posição de que a viagem "não tinha relação com vacinas". O órgão não disponibilizou Kennedy para entrevistas, e a Casa Branca, o gabinete do primeiro-ministro de Samoa e a CHD não responderam aos pedidos de comentário.