Dois jovens italianos atravessam o Oceano Atlântico a bordo de carros adaptados para flutuar
Dois jovens italianos atravessaram o Oceano Atlântico em carros adaptados, partindo das Ilhas Canárias em 4 de maio de 1999 e chegando à Martinica em 31 de agosto. A expedição durou 119 dias e utilizou veículos Volkswagen Passat e Ford Taunus equipados com quilhas e mastros
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Dois jovens italianos completaram, em 31 de agosto de 1999, uma inusitada travessia do Oceano Atlântico a bordo de carros adaptados para flutuar. Marco Amoretti, de 23 anos, e Marco de Candia, de 21, chegaram à localidade de Tartane, na costa leste da Martinica, após 119 dias de navegação.
A expedição, que partiu em 4 de maio de 1999 da ilha de La Palma, nas Ilhas Canárias, foi a realização de um projeto idealizado por Giorgio Amoretti, pai de Marco. O projeto consistia em atravessar o oceano em um carro marítimo como forma de dar visibilidade a causas sociais, especificamente a defesa da remuneração estatal para mães que cuidam dos filhos em tempo integral.
A preparação e a jornada dos "autonautas"
Para viabilizar a viagem, foram utilizados dois veículos usados — um Volkswagen Passat e um Ford Taunus — equipados com quilhas metálicas, mastros e preenchidos com espuma expansiva de poliuretano para garantir a flutuabilidade. A logística incluiu a instalação de um telefone via satélite com energia solar e o uso de um bote inflável com barraca para o descanso dos tripulantes.
A jornada começou com o auxílio de motores de popa para atingir águas internacionais, mas a progressão passou a depender exclusivamente do vento e de correntes marítimas. O início da travessia foi marcado por dificuldades:
- Durante os primeiros 11 dias, os veículos ficaram à deriva, resultando no resgate por helicóptero de dois outros integrantes da equipe, Mauro e Fabio Amoretti.
- Os dois Marcos enfrentaram a ruptura constante de cabos de conexão entre os carros e a necessidade de aplicar técnicas de sobrevivência, como a pesca de plâncton com meias-calças para obter vitamina C.
- A segurança foi um ponto de atenção, com a vigilância mútua necessária devido à presença de tubarões nas proximidades.
Desafios técnicos e perdas familiares
A comunicação com a Itália foi interrompida em 25 de maio, quando a bateria solar do telefone foi inundada por água salgada. Esse silêncio de seis semanas gerou apreensão entre familiares e críticas da imprensa, que chegou a questionar a veracidade da aventura.
No período de isolamento, Giorgio Amoretti, que havia cedido seu lugar na expedição a Marco de Candia devido ao agravamento de um câncer, faleceu. A notícia da morte do pai só foi revelada a Marco Amoretti pouco antes da chegada ao destino, para evitar que o abalo emocional comprometesse a conclusão da viagem.
Superação climática e chegada ao Caribe
Apesar de a previsão inicial ser de 40 dias, a travessia estendeu-se por quase quatro meses, colocando os navegantes diante de uma tempestade tropical ao se aproximarem do Caribe. Mesmo com a recomendação da guarda costeira da Martinica para abandonar a missão, os jovens recusaram o resgate e enfrentaram ventos e chuvas torrenciais que danificaram a estrutura dos veículos.
O desfecho da aventura ocorreu com a chegada à Martinica, onde foram recebidos por autoridades, jornalistas e familiares. Após a experiência, os carros foram deixados na ilha. Marco Amoretti posteriormente publicou os diários da viagem, enquanto Marco de Candia buscou, por meio da meditação, recuperar o estado de paz alcançado durante o isolamento no mar.