Dois terremotos na Venezuela deixam centenas de mortos e milhares de desaparecidos
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela causaram ao menos 920 mortes e mais de 3.300 feridos. A ONU estima sete milhões de afetados e 50 mil desaparecidos, enquanto o governo declarou estado de emergência. Operações de resgate internacionais seguem em curso no terceiro dia após os sismos
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A Venezuela enfrenta uma crise humanitária após dois terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos com menos de um minuto de intervalo na última quarta-feira. O primeiro tremor atingiu a costa central, próximo a San Felipe, no estado de Yaracuy, seguido por um segundo abalo, ainda mais forte, com epicentro próximo ao município de Yumare. Ambos os eventos foram superficiais, ocorrendo a menos de 30 km de profundidade, o que intensificou a destruição. Um dos sismos foi o mais potente registrado no país desde 1900, superando own recorde do terremoto de San Narciso.
O balanço oficial aponta pelo menos 920 mortos e mais de 3.360 feridos. A ONU estima que sete milhões de pessoas tenham sido afetadas e que cerca de 50 mil estejam desaparecidas, número que diverge da estimativa de 172 pessoas dada inicialmente pela presidente em exercício, Delcy Rodríguez. Um site independente gerido por civis reporta que mais de 54 mil pessoas não foram localizadas por familiares, embora 12.215 já tenham sido encontradas.
A tragédia causou vítimas internacionais. O governo português confirmou 28 mortes de seus cidadãos, enquanto a China registrou sete óbitos. A Espanha relatou cinco mortes e 119 desaparecidos, e a Itália confirmou a morte de um cidadão ítalo-venezuelano. O governo brasileiro confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros, informando que o Itamaraty presta assistência consular às famílias. Os tremores foram sentidos nos estados de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá, no Brasil, mas sem registro de danos ou vítimas.
O governo venezuelano declarou estado de emergência, suspendendo trens, aeroportos e o transporte público. A infraestrutura de saúde está colapsada; centros médicos remanescentes operam sobrecarregados e feridos são atendidos em instalações improvisadas, agravando a precariedade do sistema de saúde que já enfrentava dificuldades antes do desastre.
As operações de resgate entraram no terceiro dia, com este sábado sendo classificado pela ONU como crucial. Tom Fletcher, secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, destacou que a resposta global foi expressiva, com a chegada de quase 2 mil socorristas e 39 equipes de resgate vindas de Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, Europa e Oriente Médio, além do apoio de 111 cães farejadores. Fletcher ressaltou que a cooperação humanitária colocou as divergências políticas em segundo plano, embora tenha alertado que a redução de quase metade do orçamento de ajuda humanitária da ONU nos últimos 18 meses torna o financiamento das operações um desafio.
A Cruz Vermelha Internacional relatou que a destruição generalizada e as estradas bloqueadas dificultam o acesso, forçando as equipes a utilizarem motocicletas em vez de ambulâncias. A situação é agravada por mais de 200 tremores secundários, que ameaçam a estabilidade de prédios danificados e elevam o risco para os socorristas.
Apesar do cenário crítico, há relatos de sobreviventes, como o resgate de um recém-nascido. No entanto, a esperança de encontrar vivos diminui em algumas áreas; equipes espanholas chegaram a se retirar de locais sem sinais de vida, embora familiares continuem a remover escombros manualmente na tentativa de localizar parentes. A prioridade do governo venezuelano, segundo Delcy Rodríguez, permanece sendo o resgate de pessoas que ainda estejam vivas.