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Economia dos Estados Unidos torna-se ponto central de debate na véspera das eleições para o Congresso

02 de Novembro de 2026 às 12:00 3 min de leitura

A economia dos Estados Unidos é o tema central das eleições para o Congresso, marcada por um crescimento de 3,4% no último trimestre e desemprego em 4,2%. A inflação acima da meta do Federal Reserve e juros elevados impactam o poder de compra e o acesso à moradia. O cenário combina recordes no mercado acionário com a alta de preços de combustíveis e serviços

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Economia dos Estados Unidos torna-se ponto central de debate na véspera das eleições para o Congresso
© ANNABELLE GORDON

A economia dos Estados Unidos tornou-se o ponto central de debate na véspera das eleições que definirão o controle do Congresso, com o eleitorado dividindo-se entre indicadores macroeconômicos positivos e a percepção direta de perda de poder de compra. O descontentamento popular concentra-se na inflação persistente, atribuída por parte dos eleitores às tarifas e ao conflito com o Irã, conduzidos pela gestão de Donald Trump.

Contrastes entre indicadores e percepção popular

Embora o sentimento do consumidor apresente sinais de deterioração desde janeiro de 2025, os dados técnicos revelam um cenário híbrido. O índice de confiança da Universidade de Michigan registrou baixa quase recorde, contrastando com a melhora apontada pelo Conference Board em outubro.

No mercado de trabalho, a estabilidade é o dado mais expressivo. A taxa de desemprego manteve-se em 4,2% em setembro, sem ultrapassar a marca de 4,5% nos últimos cinco anos, o maior período de estabilidade já registrado. Além disso, os pedidos semanais de auxílio-desemprego operam próximos ao menor nível em 57 anos, indicando que, apesar da dificuldade de contratação para recém-formados, não há demissões em massa.

O impacto da Inteligência Artificial e do Mercado Financeiro

O crescimento econômico dos EUA foi de 3,4% no último trimestre, impulsionado principalmente pelos gastos de famílias de alta renda e pelo boom de investimentos em inteligência artificial (IA). Os investimentos empresariais, especificamente, cresceram a uma taxa anualizada de 12,7%.

Esse cenário refletiu-se nos índices acionários, que bateram recordes sucessivos ao longo do ano, beneficiando as contas de aposentadoria de milhões de norte-americanos. No entanto, a sustentabilidade desse crescimento é questionada após resultados financeiros de empresas como Intel e Amazon.com, que provocaram quedas acentuadas no Nasdaq Composite.

Inflação e pressão monetária

A principal fragilidade econômica reside na inflação, que permanece acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. O cenário agravou-se após o início de uma guerra de oito meses entre Estados Unidos, Israel e Irã, o que elevou os preços globais de combustíveis. A demanda por IA também é apontada por economistas e pelo banco central como um fator inflacionário.

Desde janeiro de 2025, tanto a remuneração média por hora quanto os preços ao consumidor subiram cerca de 5,5%. Na prática, isso estagnou o poder de compra dos trabalhadores, que deixaram de ter ganhos reais nos salários, como ocorria anteriormente.

Para conter a alta de preços, o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros em setembro e prevê novo aumento para dezembro. Essa política monetária, descrita por Kevin Warsh como um "remédio" para a inflação, elevou os custos de empréstimos de longo prazo.

Crise imobiliária e custo de vida

A combinação de juros altos e a baixa oferta de imóveis tornou o acesso à moradia um dos maiores gargalos financeiros para a população. As taxas de hipotecas para 30 anos ultrapassaram os 7%, elevando os preços dos imóveis e tornando a compra de casas inacessível para grande parte dos eleitores.

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