Emmanuel Macron fará pronunciamento oficial após onda de violência e protestos em diversas cidades francesas
Novos confrontos em Paris neste domingo (18) prolongam protestos contra o custo de vida e a desigualdade social na França. Manifestações anteriores deixaram um morto, milhares de presos e destruição de prédios públicos e comércios em diversas cidades. O presidente Emmanuel Macron fará um pronunciamento oficial à nação às 20h
Novos confrontos em Paris neste domingo (18) prolongam a onda de instabilidade na França, após um sábado marcado por violência generalizada e destruição em diversas cidades do país. A agitação, motivada pela alta do custo de vida e dos preços dos combustíveis, resultou na morte de um manifestante, milhares de prisões e danos massivos ao comércio e a prédios públicos.
Na capital, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para conter manifestantes na Place de la République, onde bicicletas foram incendiadas. O cenário de caos foi descrito por estrangeiros na cidade como comparável a uma zona de guerra.
Impacto material e violência urbana
As manifestações de sábado reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de localidades. O movimento, que começou há um mês com pautas estudantis sobre a falta de professores e a precariedade de escolas em bairros operários, expandiu-se para um protesto contra a desigualdade social e a redução de serviços públicos.
Enquanto a maioria das marchas ocorreu de forma pacífica, grupos violentos promoveram saques a supermercados e butiques de luxo, além de ataques a veículos e agentes de segurança. O rastro de destruição incluiu:
- Limoges: A prefeitura da cidade, com 143 anos de história, foi incendiada e amplamente destruída em um ataque premeditado.
- Bordeaux: Cerca de 100 lojas foram saqueadas e a residência do prefeito foi invadida por pessoas mascaradas.
- Carrefour: A rede de varejo registrou danos em 50 unidades, sendo 20 saqueadas, com prejuízos estimados em dezenas de milhões de euros.
Operações de limpeza foram mobilizadas em cidades como Lille, Marselha e Estrasburgo para mitigar os danos.
Reações políticas e pressão governamental
O governo francês, por meio do primeiro-ministro Sébastien Lecornu e do ministro do Interior, Laurent Nunez, atribuiu a violência a criminosos e grupos de extrema-esquerda e ultra-esquerda. Em resposta, o ministro da Economia, Roland Lescure, garantiu que os responsáveis pela destruição do patrimônio serão responsabilizados financeiramente.
No campo político, a crise intensifica a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que deve deixar o cargo em 2027. O mandato de Macron tem sido marcado por dívida pública elevada, economia fragilizada e crescente descontentamento social.
Jordan Bardella, líder da extrema-direita, criticou a perda de autoridade do Estado e a negligência com as forças de segurança, exigindo a renúncia do presidente.
Diante da gravidade dos fatos, o gabinete presidencial confirmou que Emmanuel Macron fará um pronunciamento oficial à nação às 20h (horário local) deste domingo.