Espanha alerta para alto risco de incêndios durante eclipse solar total nesta quarta-feira
A Espanha prevê risco de incêndios alto ou extremo em grande parte do território para 12 de agosto, data de um eclipse solar total. A Aemet estima que 51,8% da área terá risco muito alto e 21,2% risco extremo, motivando o fechamento de parques e restrições de acesso em diversas regiões. O governo mobilizou planos de segurança para gerir a movimentação de até 2,9 milhões de pessoas para pontos de observação
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F5a9%2F992%2F954%2F5a999295422bf0a9ede89b7c9c626b66.jpg)
A Espanha enfrenta um cenário de alerta crítico para a quarta-feira, 12 de agosto, data em que a ocorrência de um eclipse solar total coincide com condições meteorológicas extremas. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) prevê temperaturas elevadas e um risco de incêndios classificado como alto ou extremo em vastas extensões da península e nas Ilhas Baleares, elevando a preocupação das autoridades diante do fluxo massivo de pessoas para áreas rurais.
Risco climático e impacto geográfico
A escuridão total do fenômeno astronômico atingirá 13 das 17 comunidades autônomas do país, movendo-se do oeste para o leste. O ápice do evento está previsto para as 20h30, atraindo milhões de observadores para montanhas e campos com vegetação seca, justamente as regiões onde o perigo de fogo é mais acentuado.
Os dados da Aemet indicam uma progressão alarmante do risco de incêndios:
- Segunda-feira: 42% de risco.
- Quarta-feira (dia do eclipse): 51,8% do território em risco muito alto e 21,2% em risco extremo.
- Quinta-feira: Previsão de 30,9% de risco extremo.
- Sexta-feira: Previsão de 33% de risco extremo.
Atualmente, mais de 10 milhões de hectares nas áreas de escuridão total e outros 5,3 milhões de hectares em zonas de escuridão parcial estão sob ameaça. As regiões mais críticas incluem Castilla y León, o norte da Comunidade de Madrid e a província de Ourense. Nas Ilhas Canárias, o risco é menor que na península, mas permanece significativo em El Hierro, La Palma e Tenerife.
Focos ativos e áreas de vulnerabilidade
A situação é agravada por incêndios que já estão em curso. Relatórios do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico (MITECO) apontam que municípios como Valdés (Astúrias), Barjas (Leão), Navas de Riofrío (Segóvia) e Tírig (Castela-La Mancha) — todos locais de observação da totalidade do eclipse — registraram focos ativos recentemente.
Em Castilla y León, a situação permanece instável, com riscos elevados em Navas de San Antonio e riscos médios em Revenga e Cifuentes de Rueda. Nesta última cidade, a escuridão total será uma das mais prolongadas, com duração de aproximadamente 1 minuto e 46 segundos. Já em Aragão, a alta incidência de alertas vermelhos coloca a região em estado de vigilância rigorosa.
Restrições e medidas de segurança
Para mitigar o risco, diversas administrações regionais implementaram medidas drásticas. A Generalitat Valenciana determinou o fechamento de parques naturais em Castellón e Valencia, além de proibir a circulação por trilhas e o uso de fogo. Em Tarragona, os parques Els Ports e Serra de Montsant também estarão inacessíveis.
Outras restrições incluem:
- Galicia: Proibição de acesso ao Monte da Guía (Vigo) e à Torre de Hércules (A Coruña).
- Madrid: Cancelamento de atividades em Tres Cantos.
- Aragão: Restrição de acampamentos e fogos de artifício em áreas florestais, com multas que podem variar entre 1.000 e 100.000 euros.
- Navarra: Proibição de veículos a motor e elétricos em estradas rurais entre 00h e 07h do dia 12 de agosto.
- Castilla-La Mancha: Restrições similares em Cuenca e Guadalajara.
Logística e mobilidade
O Governo espanhol mobilizou um Plano Específico de Proteção Civil e um Plano Especial de Segurança. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, enfatizou a necessidade de prudência extrema devido à combinação de seca, calor e a pressão humana sobre os espaços naturais.
A Direção Geral de Trânsito (DGT) projeta entre 1,8 e 2,9 milhões de deslocamentos para os 350 pontos de observação identificados. A proximidade de grandes centros urbanos, como Madrid (a 12 km da área de totalidade) e Barcelona (a 33 km), deve intensificar o tráfego e a demanda por infraestrutura em áreas vulneráveis. De acordo com o sistema de informação europeu de incêndios florestais (EFFIS), a Espanha já teve 222.783 hectares queimados nos últimos meses.