Espanha prepara normas mais rígidas para centros de dados para conter impacto da inteligência artificial
O governo da Espanha planeja implementar normas para reduzir o consumo de água e eletricidade em centros de dados. A regulamentação exige que 80% da operação utilize energia renovável e prevê a reutilização do calor dos servidores. O setor estima que a falta de previsibilidade jurídica possa comprometer 67 bilhões de euros em investimentos até 2030
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O governo da Espanha prepara a implementação de normas mais rígidas para o funcionamento de centros de dados, visando conter o impacto ambiental e energético impulsionado pela expansão da inteligência artificial. A nova regulamentação, que deve ser aprovada via decreto sem a necessidade de validação parlamentar, foca na redução do consumo de água e eletricidade, podendo alterar a dinâmica de investimentos de gigantes da tecnologia no país.
Exigências de sustentabilidade e eficiência
A proposta governamental estabelece que as infraestruturas de processamento de dados comprovem a máxima eficiência no uso de recursos. Um dos pontos centrais é a obrigatoriedade de que ao menos 80% do tempo de operação seja sustentado por energia renovável, com a devida verificação horária. Além disso, o decreto prevê a reutilização do calor emitido pelos servidores, embora a medida enfrente barreiras técnicas de implementação pelas empresas.
O ministro de Transformação Digital, Óscar López, confirmou a intenção de oficializar a medida. No entanto, diante da resistência do setor tecnológico, o governo analisa a possibilidade de flexibilizar alguns dos requisitos.
Impacto nos investimentos e polos tecnológicos
A região de Aragão tornou-se o epicentro desses investimentos. A Amazon Web Services (AWS) projeta aplicar 33,7 bilhões de euros até 2034, enquanto a Microsoft planeja a construção de um complexo em Zaragoza com orçamento de 5,3 bilhões de euros.
Embora as companhias mantenham a intenção de expandir, há um alerta sobre a necessidade de estabilidade jurídica. O setor estima que a falta de previsibilidade regulatória possa comprometer cerca de 67 bilhões de euros em investimentos previstos para a Espanha até 2030.
Desafios energéticos e prazos regulatórios
A pressão sobre a rede elétrica é crescente. Atualmente, a Espanha conta com 439 megawatts (MW) de capacidade instalada, volume que pode saltar para 2.537 MW até 2030, segundo a SpainDC (Associação Espanhola de Centros de Dados). Atualmente, essas instalações consomem cerca de dois terawatts por hora (TWh), o equivalente a 0,8% da demanda elétrica do país, além de utilizarem aproximadamente 420 milhões de litros de água anualmente para refrigeração.
O governo de Pedro Sánchez busca evitar que esse aumento na demanda, provocado pela IA, encareça a conta de luz de consumidores residenciais e empresas.
Cronograma e entraves administrativos
O Executivo corre contra o tempo para aprovar o decreto entre o final de outubro e o início de novembro, antes das eleições antecipadas marcadas para 29 de novembro. O processo ainda depende de etapas burocráticas:
- A Comissão Nacional de Mercados e Competição (CNMC) já se manifestou sobre a proposta.
- O Conselho de Estado deve realizar a avaliação de viabilidade jurídica.
- O governo precisa lidar com mais de 600 objeções apresentadas, o que pode retardar a vigência das novas regras.