Mundo

Espanha prepara normas mais rígidas para centros de dados para conter impacto da inteligência artificial

13 de Outubro de 2026 às 09:12 3 min de leitura

O governo da Espanha planeja implementar normas para reduzir o consumo de água e eletricidade em centros de dados. A regulamentação exige que 80% da operação utilize energia renovável e prevê a reutilização do calor dos servidores. O setor estima que a falta de previsibilidade jurídica possa comprometer 67 bilhões de euros em investimentos até 2030

-0:00
Espanha prepara normas mais rígidas para centros de dados para conter impacto da inteligência artificial
Microsoft

O governo da Espanha prepara a implementação de normas mais rígidas para o funcionamento de centros de dados, visando conter o impacto ambiental e energético impulsionado pela expansão da inteligência artificial. A nova regulamentação, que deve ser aprovada via decreto sem a necessidade de validação parlamentar, foca na redução do consumo de água e eletricidade, podendo alterar a dinâmica de investimentos de gigantes da tecnologia no país.

Exigências de sustentabilidade e eficiência

A proposta governamental estabelece que as infraestruturas de processamento de dados comprovem a máxima eficiência no uso de recursos. Um dos pontos centrais é a obrigatoriedade de que ao menos 80% do tempo de operação seja sustentado por energia renovável, com a devida verificação horária. Além disso, o decreto prevê a reutilização do calor emitido pelos servidores, embora a medida enfrente barreiras técnicas de implementação pelas empresas.

O ministro de Transformação Digital, Óscar López, confirmou a intenção de oficializar a medida. No entanto, diante da resistência do setor tecnológico, o governo analisa a possibilidade de flexibilizar alguns dos requisitos.

Impacto nos investimentos e polos tecnológicos

A região de Aragão tornou-se o epicentro desses investimentos. A Amazon Web Services (AWS) projeta aplicar 33,7 bilhões de euros até 2034, enquanto a Microsoft planeja a construção de um complexo em Zaragoza com orçamento de 5,3 bilhões de euros.

Embora as companhias mantenham a intenção de expandir, há um alerta sobre a necessidade de estabilidade jurídica. O setor estima que a falta de previsibilidade regulatória possa comprometer cerca de 67 bilhões de euros em investimentos previstos para a Espanha até 2030.

Desafios energéticos e prazos regulatórios

A pressão sobre a rede elétrica é crescente. Atualmente, a Espanha conta com 439 megawatts (MW) de capacidade instalada, volume que pode saltar para 2.537 MW até 2030, segundo a SpainDC (Associação Espanhola de Centros de Dados). Atualmente, essas instalações consomem cerca de dois terawatts por hora (TWh), o equivalente a 0,8% da demanda elétrica do país, além de utilizarem aproximadamente 420 milhões de litros de água anualmente para refrigeração.

O governo de Pedro Sánchez busca evitar que esse aumento na demanda, provocado pela IA, encareça a conta de luz de consumidores residenciais e empresas.

Cronograma e entraves administrativos

O Executivo corre contra o tempo para aprovar o decreto entre o final de outubro e o início de novembro, antes das eleições antecipadas marcadas para 29 de novembro. O processo ainda depende de etapas burocráticas:

  • A Comissão Nacional de Mercados e Competição (CNMC) já se manifestou sobre a proposta.
  • O Conselho de Estado deve realizar a avaliação de viabilidade jurídica.
  • O governo precisa lidar com mais de 600 objeções apresentadas, o que pode retardar a vigência das novas regras.

Notícias Relacionadas