Estados Unidos acusam a Rússia de realizar operações com armas em órbita na ONU
Os Estados Unidos denunciaram à ONU, em 21 de outubro, que o satélite russo Kosmos 2612 realizou manobras de aproximação contra o equipamento Iceye-X36. A operação, ocorrida entre 30 de setembro e 18 de outubro, manteve o aparelho russo a distâncias inferiores a um quilômetro do alvo. A Rússia negou as acusações, classificando as atividades como pacíficas
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Os Estados Unidos acusaram a Rússia, em reunião na ONU realizada em 21 de outubro, de realizar operações de armas em órbita. A denúncia centra-se nas manobras do satélite militar russo Kosmos 2612, que perseguiu o Iceye-X36, um satélite de radar de propriedade de uma empresa finlandesa com filial americana. O equipamento da Iceye é utilizado para capturar imagens de posições russas em benefício da Ucrânia.
O diplomata americano Jessup Taylor rebateu a Rússia durante o encontro, afirmando que as atividades russas no espaço são mais relevantes do que as declarações oficiais de Moscou. Brian Hardesty, do Departamento de Estado, classificou a manobra como "deliberadamente imprudente" e ameaçadora, enquanto o subsecretário Thomas DiNanno assegurou que Washington defenderá seus interesses espaciais.
Detalhes da aproximação e riscos técnicos
O Kosmos 2612, lançado em abril em Plesetsk, iniciou a aproximação do Iceye-X36 em 30 de setembro. Entre 16 e 18 de outubro, o satélite russo manteve-se a poucos quilômetros do alvo, chegando a ficar a menos de um quilômetro de distância por cerca de doze horas.
Dados de rastreamento divergem sobre a proximidade exata na madrugada de 18 de outubro:
- A plataforma KeepTrack estima a distância entre 150 e 650 metros.
- O astrônomo Marco Langbroek projeta a distância entre 26 e 470 metros.
- Imagens da empresa Vantor registraram os aparelhos a um quilômetro de distância no dia 17.
Embora o astrofísico Jonathan McDowell argumente que a lentidão da aproximação descaracterize um ataque coorbital imediato, a empresa LeoLabs alerta que tal precisão de navegação é essencial para atividades de espionagem, coerção, interferência ou preparação de ataques futuros. Clayton Swope, do centro de estudos CSIS, sugere que a Rússia pode ter testado a direção de energia, como lasers ou inibidores, contra o satélite.
Estratégia de dissuasão e respostas russas
A delegação russa, representada por Konstantin Vorontsov, classificou as acusações como "absurdas", alegando que as atividades do Kosmos 2612 são pacíficas. No entanto, Vorontsov já havia declarado em 2022 que satélites que auxiliam a Ucrânia são alvos legítimos.
O governo russo utiliza a manobra como um instrumento de dissuasão estratégica. Através do jornal Rossiyskaya Gazeta, o coronel aposentado Yuri Knutov afirmou que a Rússia demonstra capacidade de identificar e impedir fontes de ameaça, citando a Starlink e a Iceye como ferramentas de inteligência da OTAN. A imprensa oficial russa chegou a alertar que equipamentos de empresas que ajudem a espionar o país podem ser "inspecionados" em órbita.
Impactos na segurança global e a "Guerra Fria Espacial"
A dependência de exércitos ocidentais de satélites comerciais torna a situação crítica. Elon Musk alertou que a destruição de satélites da Starlink poderia desencadear a síndrome de Kessler, onde a colisão de detritos tornaria a órbita baixa inutilizável.
Atualmente, não existem regras internacionais ou padrões de distância mínima que impeçam tais aproximações. Enquanto Rússia e China defendem na ONU tratados contra armas espaciais — vistos pelos EUA como ineficazes —, as três potências continuam a desenvolver capacidades ofensivas. A China, por exemplo, já lançou satélites com braços robóticos para captura de outros aparelhos.
Apesar de o Kosmos 2612 ter se afastado no dia 18, ele voltou a manobrar para retornar à altura do Iceye-X36 na noite seguinte, sugerindo que a operação não foi encerrada. Além disso, os satélites Kosmos 2611 e 2613 compartilham trajetórias que podem levar a novos cruzamentos com o Iceye-X37 entre 6 e 15 de novembro.