Estados Unidos bloqueiam o Estreito de Ormuz após a ausência de acordo com o Irã
Conversas de paz entre Estados Unidos e Irã em Islamabad não resultaram em acordo sobre o programa nuclear iraniano. Diante do impasse, Donald Trump ordenou o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Marinha. A operação consiste na interceptação de embarcações e na destruição de minas marítimas
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã terminaram sem acordo em Islamabad, no Paquistão, após 21 horas de discussões. O impasse resultou na decisão imediata do governo americano de utilizar a Marinha para bloquear a passagem pelo Estreito de Ormuz.
O vice-presidente JD Vance informou que a delegação iraniana rejeitou os termos propostos por Washington. Para os Estados Unidos, o ponto central do acordo seria a obtenção de um compromisso afirmativo de que o Irã não desenvolveria armas nucleares, nem buscaria ferramentas que permitissem a criação rápida de tais armamentos.
Em contrapartida, o chefe do Parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que a falta de confiança no governo dos EUA, motivada por agressões anteriores cometidas por Washington e Israel, impediu a concretização de iniciativas promissoras, apesar da boa vontade de Teerã em negociar. Ghalibaf reiterou que o país não interromperá os esforços para consolidar as conquistas alcançadas nos últimos 40 dias de defesa nacional.
Diante da recusa iraniana em abrir mão de suas ambições nucleares, o presidente Donald Trump ordenou que a Marinha dos EUA interdite o Estreito de Ormuz. A estratégia inclui a interceptação de embarcações em águas internacionais que tenham pago pedágio ao Irã, além da destruição de minas instaladas pelos iranianos na região.
O Estreito de Ormuz é a principal via marítima para o comércio global de petróleo, com trânsito de aproximadamente 20% das cargas de óleo do mundo. A rota havia sido fechada pelo Irã após ataques sofridos em 28 de fevereiro, perpetrados pelos Estados Unidos e Israel. Anteriormente, Trump havia ameaçado realizar um genocídio contra o Irã para forçar a reabertura da via, o que resultou em um cessar-fogo instável com duração de duas semanas.
O novo líder Supremo do Irã, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, declarou que a gestão do Estreito seguirá novas regras de passagem e que a região não retornará ao status anterior à guerra.
De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, a pauta do encontro em Islamabad incluiu a suspensão de sanções, indenizações de guerra, o fim completo do conflito no país e na região, além da questão do Estreito de Ormuz. Baqaei pontuou que a complexidade desses temas e as divergências regionais tornaram inviável a resolução dos problemas em menos de 24 horas de conversas.