Estados Unidos cancelam vistos de 26 pessoas de quatro países sul-americanos por corrupção e narcotráfico
Os Estados Unidos cancelaram os vistos de 26 autoridades e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A medida, baseada no Escudo das Américas, visa combater a corrupção e o narcotráfico. Entre os atingidos está o procurador-geral boliviano, Roger Mariaca
O governo dos Estados Unidos cancelou os vistos de 26 pessoas, entre autoridades e empresários, provenientes da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A medida, coordenada pelo Departamento de Estado sob a gestão de Marco Rubio, fundamenta-se no Escudo das Américas, iniciativa de Donald Trump para combater cartéis de drogas na região.
A Casa Branca justifica as restrições — que atingem também familiares de juízes, advogados, policiais e ex-ministros — como uma resposta a indivíduos que prejudicariam governos democraticamente eleitos por meio de narcotráfico ou corrupção.
Tensões diplomáticas na Bolívia
Um dos alvos centrais da medida é o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, eleito pelo parlamento em 2024 para um mandato de seis anos. O governo americano acusa Mariaca de corrupção significativa, alegando que ele teria aceitado subornos para facilitar o narcotráfico e proteger criminosos violentos, embora não tenham sido apresentadas provas para tais afirmações.
Em resposta, Mariaca classificou a decisão como uma violação à soberania boliviana. O procurador-geral afirmou que pressões externas não interromperão as investigações conduzidas por suas instituições, mencionando a necessidade de esclarecer denúncias relacionadas a combustíveis.
O caso Fernando Cerimedo
O embate entre Washington e a procuradoria boliviana ocorre paralelamente às investigações contra Fernando Cerimedo, operador digital que assessorou os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Rodrigo Paz, da Bolívia. Cerimedo, descrito pela revista The Economist como "o homem do Maga na América Latina", é investigado por operar redes de robôs e "fazendas de cliques" para mobilizar políticos de direita.
Atualmente preso na Bolívia, Cerimedo enfrenta acusações de:
- Tentativa de feminicídio contra a advogada Nadia Beller;
- Tráfico de drogas;
- Enriquecimento ilícito.
A defesa do consultor nega as acusações, alegando perseguição política. Cerimedo possui vínculos estreitos com a cúpula republicana, tendo recebido o prêmio de "consultor político hispânico do ano" em fevereiro de 2026, em cerimônia realizada na residência de Donald Trump, em Mar-a-Lago, entregue por Eduardo Bolsonaro.
Reação do governo boliviano
O governo de Rodrigo Paz adotou uma postura de cautela, informando que solicitará detalhes adicionais aos Estados Unidos sobre as acusações contra Mariaca antes de abrir qualquer apuração interna. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, ressaltou a gravidade das declarações americanas, enquanto o porta-voz da Presidência, Fernando Aramayo Carrasco, reiterou que a Bolívia colaborará com as ações pertinentes à sua institucionalidade, respeitando a decisão soberana dos EUA sobre a emissão de vistos.