Estados Unidos e Irã sinalizam acordo para encerrar conflito no Oriente Médio
Estados Unidos e Irã sinalizaram a possibilidade de assinar um acordo de paz para encerrar o conflito no Oriente Médio. O Paquistão, mediador do processo, confirmou o consenso sobre o texto final, que pode ser assinado neste fim de semana na Europa. O documento prevê que o Irã não terá acesso a armas nucleares
Estados Unidos e Irã sinalizaram, nesta sexta-feira (12), a possibilidade de assinar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio. A confirmação de que ambas as partes chegaram a um consenso sobre o texto final das negociações foi feita pelo Paquistão, que atua como mediador do processo.
A perspectiva de paz ganhou força após o presidente Donald Trump anunciar, na quinta-feira (11), que os negociadores atingiram um entendimento sobre os pontos finais da proposta. Trump indicou que a assinatura do documento definitivo poderia ocorrer ainda neste fim de semana, em território europeu, com a presença do vice-presidente JD Vance. O presidente norte-americano afirmou que o memorando de entendimento recebeu a aprovação de todas as instâncias do governo iraniano, incluindo o líder supremo, garantindo que o país não terá acesso a armas nucleares.
Embora o Irã tenha inicialmente negado a aprovação de qualquer texto por meio da agência estatal Fars, o tom mudou na manhã desta sexta-feira. O chanceler iraniano, Abás Araqchi, declarou que a concretização de um acordo de paz nunca esteve tão próxima. Trump, que chegou a classificar os dirigentes iranianos como desonrosos e a desmentir detalhes vazados pela imprensa, posteriormente repostou a mensagem de Araqchi.
Apesar de não haver divulgação oficial do conteúdo, informações divergentes surgiram na mídia de ambos os países. Relatos baseados em fontes do regime iraniano, publicados pela CNN Internacional, mencionam um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano, a reabertura imediata do Estreito de Ormuz com a retirada do bloqueio naval dos EUA e a flexibilização progressiva de sanções, sob o compromisso de o Irã não obter armamento nuclear.
Por outro lado, fontes do governo dos EUA ouvidas pela Reuters indicam que o acordo prevê o desmantelamento do programa nuclear iraniano e que a liberação de ativos financeiros congelados por sanções só ocorreria após o cumprimento das obrigações por parte de Teerã. Já a imprensa estatal iraniana, via agência Mehr, defende a suspensão das sanções, a retirada de forças militares norte-americanas das proximidades do país e a manutenção do direito de enriquecer urânio e do controle sobre o Estreito de Ormuz.
As negociações ocorrem após um período de intensa escalada militar, que começou com a queda de um helicóptero dos EUA no Estreito de Ormuz. Trump acusou o Irã pelo incidente, resultando em bombardeios norte-americanos contra sistemas de defesa e radares em território iraniano. Em resposta, Teerã atacou uma base dos EUA no Bahrein e lançou mísseis contra países do Golfo Pérsico na quarta-feira (10). O Irã chegou a fechar o Estreito de Ormuz e a declarar que a ofensiva tornava o cessar-fogo anterior irrelevante. A ofensiva foi interrompida por Trump após a terceira noite de ataques, quando ele anunciou o consenso entre os negociadores.