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Estados Unidos e Venezuela firmam acordo para exploração de petróleo com investimentos privados

30 de Agosto de 2026 às 06:05 3 min de leitura

Venezuela e Estados Unidos acordaram a exploração de petróleo com investimentos superiores a US$ 100 bilhões para recuperar a infraestrutura venezuelana. O pacto prevê a arrecadação de US$ 209 bilhões em receitas fiscais e a transferência de 65 bilhões de barris de reservas para o controle norte-americano

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A Venezuela e os Estados Unidos firmaram um acordo para a exploração de petróleo, medida que visa a recuperação da infraestrutura estratégica de hidrocarbonetos venezuelana por meio de investimentos privados. O anúncio foi feito pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que classificou a negociação como um marco para a reconstrução econômica da nação e para a segurança energética do hemisfério.

O protocolo prevê a entrada de mais de US$ 100 bilhões em investimentos, com a expectativa de gerar US$ 209 bilhões em receitas fiscais para o Estado venezuelano. O objetivo é modernizar a indústria e consolidar o país como uma potência energética, utilizando suas reservas para fomentar a criação de empregos e elevar a renda dos trabalhadores.

Impacto no mercado global de energia

O acordo ocorre em um momento de pressão sobre o governo de Donald Trump, que busca conter a alta nos preços da gasolina e enfrentar a instabilidade causada por seis meses de guerra no Irã. As reservas estratégicas dos Estados Unidos registraram queda no início de agosto, situando-se abaixo de 300 milhões de barris — uma redução superior a 100 milhões de barris desde o começo de 2026.

Como parte da negociação, os Estados Unidos assumirão o controle de 65 bilhões de barris das reservas da Venezuela. O país sul-americano detém cerca de 17% da oferta mundial de crude, com reservas estimadas em 303 bilhões de barris. Apesar do volume, a Venezuela produz atualmente apenas 1% do petróleo global devido à precariedade de sua infraestrutura, embora tenha atingido a marca de 1,23 milhão de barris diários na última segunda-feira (24), o maior nível desde fevereiro de 2019.

Contexto político e diplomático

A formalização do pacto sucede a retomada dos laços diplomáticos entre Caracas e Washington em março, após a captura de Nicolás Maduro. O ex-presidente foi retirado do território venezuelano pelo Exército dos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro de 2026, ação que foi classificada como ilegal e imprudente por parte da imprensa internacional e criticada pelo Brasil.

A operação militar norte-americana remete ao sequestro de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989. Na ocasião, assim como no caso de Maduro, os EUA alegaram a liderança de um cartel de narcotráfico — no caso venezuelano, o Cartel de Los Soles —, embora especialistas em tráfico internacional questionem a existência da organização e as provas apresentadas.

Atualmente, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, permanecem detidos em um presídio federal no Brooklyn, em Nova York. O novo acordo de petróleo reforça a tese de que articulações entre as autoridades de ambos os países já ocorriam antes da intervenção militar que levou Delcy Rodríguez à presidência interina.

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