Estados Unidos e Venezuela neutralizam Niño Guerrero, líder da organização criminosa Tren de Aragua
Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua, morreu em operação conjunta entre forças militares dos Estados Unidos e autoridades da Venezuela. A ação ocorreu na última sexta-feira (12) e foi confirmada pelo governo americano
A morte de Niño Guerrero, líder da organização criminosa Tren de Aragua, ocorreu durante uma operação militar dos Estados Unidos coordenada com as autoridades da Venezuela. O anúncio foi feito por Washington e Caracas na noite de sexta-feira (12), informando que o criminoso foi neutralizado em confrontos com grupos armados.
O presidente Donald Trump confirmou a ação por meio de suas redes sociais, descrevendo a intervenção do Comando Sul como um ataque "rápido e letal". Na publicação, o governante incluiu um vídeo de 10 segundos com imagens aéreas de uma explosão em um edifício. Para o Pentágono, a eliminação de Guerrero serve como um aviso à América Latina sobre a determinação do governo americano no combate ao narcotráfico.
Fundado na Venezuela, o Tren de Aragua é classificado pelos Estados Unidos como uma organização terrorista. A facção expandiu sua atuação para Colômbia, Peru, Chile e Brasil, com forte presença em Roraima, na região fronteiriça com a Venezuela. A organização é responsável por crimes que incluem tráfico de armas e drogas, extorsão, exploração sexual, transporte ilegal de migrantes e atividades de garimpo ilegal.
A gestão de Trump tem associado a violência e o tráfico de entorpecentes à atuação do grupo, intensificando no último ano operações contra embarcações em rotas de narcotráfico no Pacífico e no Caribe.
Nascido em 1983 em Maracay, Guerrero iniciou a trajetória no crime no início dos anos 2000. Em 2005, matou o cabo Oswaldo González durante um ataque a uma delegacia. Após ser preso em 2010 por roubo, homicídio e tráfico, foi enviado à prisão de Tocorón. Ele fugiu da unidade em 2012, sendo recapturado em 2013. Embora condenado em 2018 a 17 anos de prisão por crimes que incluíam roubo de identidade e ocultação de armas de guerra, não cumpriu a pena integralmente.
Mesmo detido, Guerrero comandou a expansão do Tren de Aragua, transformando-o em uma das maiores organizações criminosas da região ao aproveitar o fluxo migratório da crise venezuelana. Sob seu controle, o Centro Penitenciário de Aragua foi transformado em uma estrutura de luxo, com cassino, boate, piscina, estádio de beisebol, restaurantes, caixas eletrônicos e até um zoológico com pumas e onças.
Em 2023, uma operação militar venezuelana para retomar o presídio revelou a existência de túneis e arsenais com lança-foguetes e granadas, mas Guerrero conseguiu escapar.
No âmbito jurídico, o Departamento de Justiça dos EUA oferecia uma recompensa de US$ 5 milhões por informações sobre o paradeiro do líder. Em dezembro de 2025, Guerrero foi formalmente acusado em um tribunal federal de Manhattan por terrorismo, importação de drogas, crimes com armas e conspiração para extorsão. O processo em Nova York também inclui como réus o presidente Nicolás Maduro, sua esposa Cilia Flores, o ministro do Interior Diosdado Cabello e um dos filhos de Maduro.