Estados Unidos identificam disputa de poder entre alas pragmáticas e linha-dura no governo do Irã
Os Estados Unidos identificaram disputas internas no Irã após Teerã atribuir ataques a navios no Estreito de Ormuz a setores desorientados do próprio sistema. Em resposta, Washington exige a interrupção das ofensivas e a garantia de livre navegação na região. O cenário coincide com a ausência pública do líder supremo Mojtaba Khamenei, que estaria ferido
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Os Estados Unidos identificaram uma disputa interna de poder no Irã entre alas pragmáticas e líderes de linha-dura. A percepção surge após o governo iraniano informar a Washington que ataques recentes a embarcações no Estreito de Ormuz foram provocados por uma "parte desorientada" de seu próprio sistema. Em resposta, o governo norte-americano exige que Teerã declare publicamente a interrupção das ofensivas e garanta a livre navegação na região, sem a cobrança de pedágios.
A tensão escalou nesta semana com ataques a três navios, o que levou o presidente Donald Trump a ordenar bombardeios contra alvos iranianos e a declarar o fim do cessar-fogo firmado em junho. O conflito central gira em torno do controle do Estreito de Ormuz, corredor marítimo de 50 quilômetros que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. A rota é estratégica para a economia global, pois, antes da guerra, respondia por cerca de 20% do comércio mundial de gás e petróleo. Embora não possua a propriedade da via, o Irã monitora o tráfego regional a partir de posições militares, ilhas e da costa norte, utilizando a geografia como ferramenta de pressão política e defendendo a soberania sobre a rota.
Paralelamente ao conflito externo, a estabilidade do regime teocrático é questionada pela ausência de Mojtaba Khamenei, o atual líder supremo, nas cerimônias fúnebres de seu pai, Ali Khamenei. Enquanto figuras centrais do poder, como o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni Ejei, o filho mais velho de Ali, Mostafa Khamenei, e o negociador com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, compareceram ao evento, Mojtaba permanece isolado. Desde que assumiu o cargo após o assassinato do pai, o líder tem se comunicado apenas por textos, sem aparições públicas.
Fontes do governo iraniano indicam que Mojtaba, que chegou ao poder com o suporte da Guarda Revolucionária, sofreu ferimentos e desfiguração facial em um ataque. Apesar de continuar tomando decisões, sua condição de saúde e os riscos de segurança — evidenciados pela morte do pai em ofensivas conjuntas de EUA e Israel — impedem seu retorno ao cenário público. A situação gera incertezas sobre a sustentabilidade da sucessão carismática no Estado, uma vez que a Guarda Revolucionária mantém o controle provisório, mas a ausência prolongada do líder supremo fragiliza a estrutura política a longo prazo.