Estados Unidos intensificam vigilância aérea nas proximidades de Cuba para pressionar governo e dissuadir aliados
As Forças Armadas dos Estados Unidos intensificaram a vigilância aérea próxima a Cuba com jatos P-8A Poseidon e drones MQ-4C Triton desde 11 de maio. As operações visam monitorar navios que tentam chegar à ilha e sinalizar pressão de Washington sobre o governo local
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As Forças Armadas dos Estados Unidos intensificaram a vigilância aérea nas proximidades de Cuba, utilizando aeronaves que mantêm a localização pública em sites de rastreamento. Desde 11 de maio, a Marinha americana operou ao menos cinco jatos P-8A Poseidon e três drones MQ-4C Triton no Mar do Caribe, com algumas incursões chegando a 80 quilômetros de distância da ilha. A estratégia de manter os transponders ligados é interpretada como uma medida deliberada para sinalizar a pressão de Washington sobre o governo comunista e dissuadir aliados, como a Venezuela, de romper o bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.
O monitoramento recente mostra que, no dia 11 de maio, um P-8 Poseidon operou ao sul de Cuba, retornando no dia seguinte após voar em direção a Havana e seguir para a base de Jacksonville, na Flórida. Já em 15 de maio, dois drones MQ-4C Triton percorreram rotas similares ao sul do litoral cubano. O volume de missões é considerado atípico, dado que a quantidade dessas aeronaves é limitada, e contrasta com o início de fevereiro, quando houve apenas um voo de P-8 e a passagem de um RC-135V Rivet Joint da Força Aérea.
Essa movimentação ocorre em um cenário de tensões crescentes, agravadas pela crise de combustíveis em Cuba, que resultou em apagões e protestos. Enquanto isso, o governo de Donald Trump pressiona por um acordo com o regime, sob a ameaça de uma intervenção militar semelhante à ocorrida na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro. Paralelamente, o site Axios reportou a aquisição de drones por Cuba capazes de atingir o território continental americano, acusação rebatida pelo Ministério das Relações Exteriores da ilha, que nega intenções bélicas e classifica a narrativa de Washington como fraudulenta.
No campo diplomático e jurídico, os Estados Unidos indiciaram o ex-presidente Raúl Castro e outras cinco pessoas por crimes relacionados à derrubada de duas aeronaves civis ocorrida há 30 anos. A medida foi condenada pela China e pela Rússia, que acusaram Washington de abusar de meios judiciais.
Em pronunciamento feito em espanhol na quarta-feira (19/5), data da independência cubana dos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio ofereceu a possibilidade de um "novo relacionamento" com a população da ilha. No entanto, Rubio atribuiu as dificuldades socioeconômicas enfrentadas pelo país à gestão dos líderes comunistas, e não ao bloqueio de combustíveis.
Apesar da frequência dos voos de reconhecimento, a análise técnica indica que as aeronaves não sobrevoaram terra firme, o que afasta a hipótese de preparação para uma invasão imediata. O foco principal das operações permanece na identificação de navios que tentem chegar ao território cubano, prioritariamente vindos do sul.