Estados Unidos investem mais de um bilhão de dólares em vigilância para a Copa de 2026
O governo dos Estados Unidos investiu mais de um bilhão de dólares em sistemas de vigilância e inteligência artificial para a Copa do Mundo de 2026. A operação inclui reconhecimento facial, drones e cães robóticos, gerando alertas de organizações civis e governos europeus sobre riscos aos direitos humanos. Decisões judiciais e executivas recentes também impactam os controles imigratórios e a identificação de gênero no país
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A Copa do Mundo de 2026 será o maior evento esportivo da história e, simultaneamente, o torneio com o mais rigoroso sistema de monitoramento já implementado. Visitantes e residentes nas cidades-sede estarão sujeitos a uma vigilância intensiva de seus rostos, comportamentos, movimentos e dispositivos eletrônicos, coordenada por governos e empresas privadas.
Para viabilizar essa operação, o governo dos Estados Unidos investiu mais de um bilhão de dólares. Os recursos foram destinados à modernização de equipamentos, aprimoramento de unidades de intervenção e desativação de explosivos, além da proteção de estádios e centros de transporte. Esse aporte financeiro impulsionou a parceria entre o setor público e privado no desenvolvimento de tecnologias de controle.
Um dos principais argumentos para a expansão desse aparato é a prevenção de ataques com drones. Contudo, a medida resultou na implementação de ferramentas que ameaçam as liberdades civis e a privacidade. Drones equipados com câmeras, microfones e sensores avançados podem monitorar cidades inteiras, ler documentos a mais de 18 mil metros de altitude e atuar como torres de telefonia para interceptar chamadas e mensagens. Em estados como Nova York, verbas federais da Copa estão sendo usadas para ampliar a frota e a capacidade operacional desses dispositivos.
A inteligência artificial é o pilar dessa estrutura. Estádios contarão com reconhecimento facial para a coleta de dados biométricos, que podem ser armazenados e utilizados futuramente sem o controle dos afetados. Além disso, cães robóticos já operam em Dallas e Nova Jersey, enquanto Seattle reativou sistemas de circuito fechado de televisão (CFTV) anteriormente desativados por questões de privacidade. Em áreas como a Times Square e o National Mall, em Washington D.C., a tecnologia de análise de dados e imagens térmicas agora permite identificar e classificar objetos e comportamentos humanos, cruzando essas informações em centros de inteligência governamentais. A preocupação com a vigilância biométrica também se estende a Vancouver, no Canadá.
Diante desse cenário e de mudanças nas políticas imigratórias dos Estados Unidos, mais de 120 grupos da sociedade civil, incluindo a Anistia Internacional e a União Americana para as Liberdades Civis, emitiram um alerta de viagem. As organizações advertem que visitantes podem enfrentar riscos que violam direitos humanos, como a revisão invasiva de redes sociais, discriminação racial, detenções, deportações e até a morte. Governos europeus também recomendaram cautela quanto à criação de perfis e vigilância.
A insegurança jurídica é agravada por decisões recentes. Em 8 de setembro de 2025, o Tribunal Supremo dos Estados Unidos tomou uma decisão que, segundo críticos, permite a discriminação racial em controles imigratórios. Somado a isso, uma ordem executiva de Donald Trump, emitida em 20 de janeiro de 2025, determina que agências federais reconheçam apenas os marcadores de sexo masculino e feminino em documentos. Países como a Alemanha alertaram cidadãos transgêneros e não binários sobre a possibilidade de terem a entrada negada no país.
A persistência desses sistemas após o torneio é outro ponto crítico, já que políticas de vigilância raramente são removidas após a implementação. Atualmente, há escassez de governança e transparência sobre como os dados coletados por parcerias público-privadas serão compartilhados ou deletados após a Copa do Mundo, evidenciando a falta de salvaguardas normativas para a inteligência artificial e a privacidade de dados.