Estados Unidos pedem apoio de pescadores para conter a expansão do peixe-cobra-do-norte
Autoridades dos Estados Unidos pedem auxílio de pescadores para conter a expansão do peixe-cobra-do-norte, espécie invasora originária da Ásia. A orientação é o sacrifício imediato dos animais capturados para mitigar danos aos ecossistemas. A legislação federal proíbe a importação, venda e o transporte do peixe
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2Fcdf%2F817%2Fb03%2Fcdf817b03a0bdc94bb11838a5265026a.jpg)
Autoridades de diversos estados dos Estados Unidos solicitaram o apoio de pescadores para conter a expansão do Channa argus, conhecido como peixe-cobra-do-norte. A espécie, originária da Ásia, é classificada como invasora e preocupa órgãos ambientais devido à sua alta capacidade de colonizar novos ecossistemas e sobreviver em condições extremas.
A orientação oficial para quem capturar o animal é que ele seja sacrificado imediatamente no local da pesca. Para evitar que exemplares vivos sejam devolvidos à água ou transportados, o Departamento de Conservação do Missouri recomenda métodos como a decapitação, o desmembramento ou o isolamento do peixe em sacos plásticos selados.
Características biológicas e riscos ambientais
O peixe-cobra-do-norte possui vantagens biológicas que facilitam sua propagação. O animal consegue extrair oxigênio diretamente do ar, o que permite sua sobrevivência em águas rasas, turvas ou com baixos níveis de oxigênio, onde outras espécies não resistiriam. Além disso, o peixe consegue se locomover em terra, facilitando a migração entre ambientes aquáticos isolados.
Com cerca de um metro de comprimento, a espécie é um predador agressivo que se alimenta de crustáceos, peixes pequenos e outros animais aquáticos. Esse comportamento, somado ao crescimento rápido, gera pressão sobre as espécies nativas e pode prejudicar a pesca comercial e recreativa.
A capacidade reprodutiva também é um fator crítico:
- As fêmeas podem depositar até 50.000 ovos.
- A eclosão ocorre rapidamente, entre um e dois dias após a fertilização.
- Durante a fase de alevinos, machos e fêmeas protegem a prole com agressividade.
Histórico de dispersão e legislação
A primeira ocorrência da espécie em território americano foi registrada em 2002, em Crofton, Maryland, possivelmente introduzida via comércio de aquários ou mercados de peixes vivos. Desde então, a espécie se espalhou por Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e Arkansas. No Missouri, o primeiro registro ocorreu em 2019, em um canal no sudeste do estado, com aumento progressivo nos avistamentos desde então.
Devido ao impacto ambiental, a legislação federal dos EUA define o Channa argus como uma espécie prejudicial. Por isso, é proibida a importação, exportação, compra, venda ou o transporte do animal entre estados.
Embora o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA admita que a erradicação total seja improvável, a estratégia atual foca na contenção das populações para mitigar danos aos ecossistemas. Como medida de controle, algumas administrações incentivam o consumo do peixe após o sacrifício.