Estados Unidos realizam bombardeios contra instalações militares e usina nuclear no Irã
Os Estados Unidos bombardearam instalações militares e uma usina nuclear no Irã após a morte de dois soldados americanos na Jordânia. O conflito resultou em ao menos 50 mortos iranianos e 16 baixas nos EUA, além de ataques do Irã ao Kuwait, Bahrein e Jordânia. O governo iraniano bloqueou o Estreito de Ormuz, enquanto Washington retomou o bloqueio aos portos do país
Os Estados Unidos divulgaram imagens de ofensivas contra o Irã neste domingo (19), após a confirmação das primeiras baixas de militares americanos desde que as hostilidades foram retomadas em 7 de julho. O Exército dos EUA reportou a morte de dois soldados e o desaparecimento de um terceiro, vítimas de ataques com drones e mísseis atribuídos ao governo iraniano na Jordânia, na última sexta-feira.
Em resposta, o Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom) realizou a oitava noite consecutiva de bombardeios. As operações visaram instalações militares e tropas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica responsáveis pelas investidas contra forças americanas em território jordaniano no dia 17 de julho.
Alvos estratégicos e baixas no Irã
As investidas americanas atingiram pontos críticos no território iraniano. Agências locais, como Mehr e Tasnim, relataram ataques em Sirik, porto situado no Estreito de Ormuz, enquanto a agência Irna registrou ofensivas nas proximidades de Hajiabad, na província de Hormozgan. A Organização de Energia Atômica do Irã confirmou, ainda, que uma usina nuclear em construção em Darkhovin, no sudoeste do país, foi alvo dos bombardeios.
O Ministério da Saúde do Irã contabiliza ao menos 50 mortos e mais de 500 feridos desde 27 de junho. Já o lado americano registra 16 militares mortos desde o início do conflito, deflagrado em 28 de fevereiro por uma ofensiva conjunta de Israel e EUA. Embora um cessar-fogo tenha sido estabelecido em abril, a guerra foi reativada em julho.
Diante do cenário, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, prometeu dar uma "lição inesquecível" aos Estados Unidos. O general Ali Abdollahi reforçou que qualquer nova ação americana receberá uma resposta devastadora.
Expansão do conflito para aliados regionais
A instabilidade atingiu outros países do Golfo neste domingo. O Kuwait e o Bahrein denunciaram ataques iranianos. No Kuwait, uma planta de dessalinização e uma usina elétrica foram atingidas, resultando em incêndios; é a terceira noite seguida de ataques a esse tipo de infraestrutura no país. No Bahrein, sede da Quinta Frota dos EUA, as defesas aéreas interceptaram e destruíram diversas investidas aéreas.
Na Jordânia, sirenes de alerta soaram em Amã. Forças jordanianas e israelenses interceptaram três mísseis iranianos lançados contra o reino, enquanto um quarto projétil caiu em zona desértica. Um míssil direcionado a Áqaba, cidade próxima a Eilat, no Mar Vermelho, também foi neutralizado por essa cooperação militar.
Crise no Estreito de Ormuz e bloqueios navais
A tensão escalou para o campo marítimo com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A Guarda Revolucionária informou ter bloqueado quatro navios que tentavam atravessar a região sem autorização; duas embarcações ficaram imobilizadas após acidentes e as outras duas abortaram a rota.
A paralisação desta via é crítica para a economia global, pois quase 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos transitava pelo local antes da guerra. A reabertura do estreito era um dos pilares do acordo de paz anterior, que agora foi substituído por novas retaliações: Washington restabeleceu o bloqueio aos portos iranianos. A Guarda Revolucionária alertou que as ações continuarão até que a estabilidade retorne à costa sul e ao estreito.