Estados Unidos realizam nona ofensiva consecutiva contra o Irã para neutralizar interceptações no Estreito de Ormuz
Forças dos Estados Unidos realizaram a nona ofensiva contra o Irã nesta segunda-feira para neutralizar a interceptação de navios no Estreito de Ormuz. Mísseis americanos atingiram cinco cidades iranianas, enquanto a Guarda Revolucionária Islâmica atacou alvos nos Estados Unidos, Jordânia, Kuwait e Síria. O conflito elevou o preço do petróleo para mais de US$ 90 o barril
As forças militares dos Estados Unidos realizaram, nesta segunda-feira (20), a nona ofensiva consecutiva contra o Irã. A nova onda de ataques, confirmada pelo Comando Central dos EUA, visa neutralizar a capacidade iraniana de interceptar embarcações comerciais em rotas marítimas estratégicas, especialmente no Estreito de Ormuz.
O cenário de instabilidade escalou após o colapso de um acordo provisório de cessar-fogo firmado há um mês. O governo norte-americano, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, afirmou que as operações continuarão enquanto a navegação comercial global for alvo de ataques, ressaltando que o Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional. Rubio reiterou que, embora os EUA estejam abertos a uma solução diplomática, responderão a qualquer tentativa de controle da região.
Impactos na infraestrutura e cidades iranianas
De acordo com a agência Tasnim, mísseis americanos atingiram diversas cidades iranianas durante a madrugada de segunda-feira, com explosões registradas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini.
Em contrapartida, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã relatou ter disparado mísseis contra aeronaves dos EUA no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, além de atacar equipamentos e recursos militares no acampamento de Al-Adiri e na Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e em território sírio. No Kuwait, o governo denunciou que uma usina de dessalinização, considerada infraestrutura civil vital, sofreu ataques pelo segundo dia consecutivo, resultando em um incêndio.
Crise no transporte de petróleo e economia
A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz tem gerado alertas sobre o abastecimento global de energia e riscos de inflação. A Guarda Revolucionária afirmou que dois petroleiros explodiram ao tentar transitar por uma rota sul, alegando que as embarcações seguiram orientações das Forças Armadas dos EUA. O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido também reportou uma embarcação em chamas na costa de Omã no domingo, embora a causa não tenha sido confirmada.
A instabilidade refletiu diretamente no mercado financeiro, com o preço do petróleo subindo 2%, ultrapassando a marca de US$ 90 o barril nesta segunda-feira. O fluxo de navios na região apresentou queda: quatro embarcações atravessaram o estreito no domingo, contra oito no dia anterior. Desde sexta-feira, apenas três petroleiros e um superpetroleiro entraram na via para carregamento de combustível. O Irã alertou que a passagem permanecerá insegura para o trânsito de petroquímicos, gás e petróleo enquanto persistirem as ações dos EUA.
Baixas militares e contexto do conflito
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e Israel para enfraquecer os aliados regionais de Teerã e neutralizar seus programas de mísseis e nucleares, já causou milhares de mortes, concentradas principalmente no Líbano e no Irã.
No lado norte-americano, o número de militares mortos subiu para 17, com mais de 420 feridos. As baixas recentes incluem:
- Um militar morto no sábado (18), no Norte do Iraque, durante a detonação de munição de um drone iraniano abatido.
- Dois militares mortos na Jordânia e um desaparecido.
- A recuperação de restos mortais não identificados em um ataque ocorrido na última sexta-feira, que ainda passam por processo de verificação.