Estados Unidos registram as primeiras mortes por sarampo em 2024 na Pensilvânia
Autoridades de saúde dos Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo em 2024, ocorridas na Pensilvânia com pessoas não vacinadas. O país registra 2.777 casos confirmados este ano, enquanto a cobertura vacinal infantil caiu para menos de 93%
As autoridades de saúde dos Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo registradas em 2024. As vítimas, residentes do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, não haviam sido vacinadas. O estado não contabilizava óbitos causados pela doença há 35 anos.
O cenário reflete um surto generalizado no país. De acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), os Estados Unidos já somam 2.777 casos confirmados apenas este ano, superando a marca de 2.289 registros de todo o ano de 2025. No ano anterior, a doença causou três mortes.
Queda na imunização e riscos sanitários
O avanço do vírus é impulsionado pela redução da cobertura vacinal infantil, que recuou de mais de 95% em 2020 para menos de 93% na atualidade. Esse declínio, iniciado em 2016 e intensificado durante a pandemia de Covid-19, compromete a proteção coletiva, já que o patamar mínimo de segurança para conter o sarampo é de 95%.
A doença é provocada por um vírus transmitido pelo ar através de tosses, espirros ou respiração próxima. O agente infeccioso pode permanecer ativo em superfícies e no ambiente por até duas horas após a saída do paciente, tornando-a uma das patologias mais contagiosas. A prevenção é feita via vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é utilizada globalmente, inclusive no Brasil, há pelo menos cinco décadas.
Influência política e desinformação
A tendência de queda na vacinação é reforçada por discursos do presidente Donald Trump e de Robert F. Kennedy Jr., nomeado para a pasta da Saúde. Em 10 de agosto, Trump assinou uma ordem executiva para reformular o calendário de vacinação infantil, defendendo a substituição da tríplice viral por doses isoladas para cada doença. O presidente alegou riscos de morte, embora não tenha apresentado pesquisas, dados ou óbitos que comprovem a afirmação.
O governo também retomou a tese de que vacinas estariam ligadas ao autismo. Essa hipótese originou-se de um estudo de 1998 do médico britânico Andrew Wakefield, posteriormente classificado como fraudulento. O autor perdeu a licença médica e a revista que publicou o trabalho retratou a pesquisa. A Organização Mundial da Saúde afirma que estudos realizados com milhões de crianças em diversos países não encontraram qualquer relação causal entre a imunização e o transtorno.