Estados Unidos retomam participação na Gavi para acelerar a vacinação mundial
Os Estados Unidos retomarão a participação na Gavi, aliança de vacinação mundial, conforme anunciado pelo secretário de Estado Marco Rubio. A medida ocorre durante um surto de Ebola na África e em meio a dificuldades orçamentárias da Organização Mundial da Saúde
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Os Estados Unidos retomarão a participação na Gavi, aliança global que integra setores público e privado para acelerar a vacinação mundial. O anúncio foi feito nesta terça-feira (2) pelo secretário de Estado, Marco Rubio, ao Comitê de Relações Exteriores do Senado. A decisão ocorre semanas após o governo de Donald Trump ter interrompido o financiamento da organização no ano passado e acontece em paralelo a um surto de Ebola em países africanos.
A movimentação americana surge em um cenário de crise financeira na resposta ao vírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou dificuldades orçamentárias, e a representante da entidade no Congo, Anne Ancia, relacionou a queda de recursos globais e a saída oficial dos EUA da OMS, em janeiro, a impactos diretos nas operações locais. Apesar disso, a cooperação técnica entre Washington e a OMS permanece ativa.
A dependência de recursos americanos é evidenciada pelos dados do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Do total de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,9 bilhões) solicitados para ações humanitárias no Congo este ano, apenas 34% foram arrecadados, sendo que mais da metade desse montante veio dos Estados Unidos.
No campo médico, o desafio atual é a variante Bundibugyo do vírus Ebola, para a qual ainda não há vacina aprovada. A imprevisibilidade e a raridade dos surtos causados por essa cepa dificultam a criação de protocolos rápidos e vacinas específicas. Como alternativa, avalia-se o uso emergencial da vacina Ervebo, da Merck, desenvolvida para a cepa Zaire, que demonstrou proteção cruzada em testes com animais. A decisão final sobre a aplicação cabe aos governos de Uganda e do Congo. Para apoiar eventuais campanhas ou testes, a Gavi já disponibilizou 2 mil doses de vacinas no Congo.
Para enfrentar a lacuna tecnológica, a farmacêutica Moderna firmou parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) nesta segunda-feira (1º) para desenvolver um imunizante contra a variante Bundibugyo. A Cepi investirá até US$ 50 milhões no desenvolvimento pré-clínico e nos testes iniciais da Moderna, além de financiar outras duas vacinas experimentais da International AIDS Vaccine Initiative e da Universidade de Oxford.
Simultaneamente, a BioFire Defense, subsidiária da francesa bioMérieux, expande a produção do teste BioFire Global Fever Special Pathogens Panel. A ferramenta, aprovada pelo FDA dos Estados Unidos, é capaz de detectar diversas variantes do Ebola, incluindo a Bundibugyo.
A OMS recomenda que a prioridade seja o diagnóstico precoce e o acesso rápido a cuidados de saúde, além do uso de medicamentos e vacinas experimentais. No leste da República Democrática do Congo, onde o surto persiste, pesquisadores alertam que conflitos armados e entraves logísticos podem comprometer a contenção da doença e a realização de estudos clínicos.
Em atualização epidemiológica, a OMS informou que o número de casos suspeitos de Ebola na África Central recuou. Em 31 de maio, eram monitorados 116 casos na República Democrática do Congo, contra 906 registrados na semana anterior. A queda ocorreu após a exclusão de centenas de notificações de pacientes que apresentavam febre ou outras patologias não relacionadas ao vírus.