Estruturas com 2.400 anos são localizadas no fundo de barragem no sudeste da Turquia
Gendarmaria Turca localizou estruturas de 2.400 anos no fundo do lago da barragem de Dicle, na região de Eğil. O conjunto inclui mesquitas, túmulos, madraças e o banho bizantino Deranbad. A submersão preservou a forma original e os detalhes arquitetônicos das construções
Estruturas submersas com cerca de 2.400 anos foram localizadas no fundo do lago formado pela barragem de Dicle, no sudeste da Turquia. O achado ocorreu na região de Eğil, durante um treinamento de mergulho realizado pela Gendarmaria Turca em águas que controlam o fluxo do rio Tigre.
As imagens capturadas sob a água revelaram um conjunto diversificado de construções que abrangem diferentes períodos históricos, incluindo mesquitas, túmulos, lápides, madraças — escolas religiosas — e o banho bizantino Deranbad, além de remanescentes de edificações civis. A variedade dessas estruturas, que englobam espaços de culto, educação, sepultamento e convivência, indica que a localidade foi estratégica para diversas civilizações ao longo do tempo.
Um fator determinante da descoberta é o estado de conservação das ruínas. Mesmo após décadas sob a água, parte das construções manteve a forma original e detalhes arquitetônicos, o que facilita a análise arqueológica. Esse fenômeno ocorreu porque a submersão limitou o contato dos materiais com o ar, retardando a degradação natural e transformando o reservatório da barragem em um mecanismo de preservação involuntária.
A barragem de Dicle exerceu um papel ambíguo sobre o patrimônio da região: ao mesmo tempo que inundou o vale habitado e ocultou cidades inteiras, acabou por proteger fragmentos históricos da exposição atmosférica. Agora, a área funciona como um laboratório de arqueologia subaquática, permitindo o acesso a registros que não poderiam ser estudados por métodos terrestres convencionais.
O estudo desses vestígios possibilita a reconstrução do cotidiano, da organização social e da arquitetura das populações antigas. Além disso, a investigação documenta como grandes obras de infraestrutura e inundações modificam a paisagem, soterrando centros urbanos e templos, mas mantendo viva a memória humana por meio de registros preservados sob a água.