Estudantes bloqueiam 1.800 escolas na França para exigir melhorias na infraestrutura e contratação de professores
Estudantes, professores e pais bloquearam 1.800 escolas na França nesta terça-feira (6) para exigir a contratação de profissionais e melhorias na infraestrutura. O Ministério do Interior registrou 6.100 prisões e o governo contabilizou 715 policiais e 215 adolescentes feridos. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu solicitou propostas ministeriais para atender as demandas até o fim de outubro

Uma onda de mobilizações estudantis tomou cidades de toda a França nesta terça-feira (6), resultando no bloqueio de centenas de instituições de ensino. Alunos, professores e pais marcharam para exigir que o governo federal solucione a carência de profissionais e a precariedade da infraestrutura das salas de aula.
A mobilização, que teve seu ápice em Paris durante a tarde, começou com atos pacíficos no período da manhã em Lyon, Nantes e Marselha. O movimento teve origem há duas semanas nos subúrbios de Paris e se expandiu para o restante do território francês.
Impacto na rede de ensino e repressão
A União dos Estudantes do Ensino Médio contabilizou o fechamento ou bloqueio de 1.800 escolas. Diante da paralisação, algumas gestões educacionais locais tentaram migrar as atividades para o formato virtual, embora o Ministério da Educação não tenha divulgado dados oficiais sobre o impacto imediato.
A resposta governamental envolveu o uso de polícia de choque, sob a justificativa de que as manifestações evoluíram para episódios de violência urbana. O Ministério do Interior registrou 6.100 prisões desde o início dos protestos, com a maioria dos detidos sendo menores de idade. O Ministério da Justiça informou que 1.800 pessoas respondem a processos, das quais 1.483 são menores.
O saldo de confrontos, segundo o gabinete do primeiro-ministro, inclui 715 policiais e 215 adolescentes feridos. Um caso grave ocorreu na segunda-feira (5), no norte do país, onde um jovem de 15 anos perdeu a mão e parte do antebraço ao manusear uma granada de dispersão da polícia. Na ocasião, o prefeito de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, relatou que entre 200 e 250 manifestantes arremessavam objetos contra as forças de segurança.
Medidas governamentais e reivindicações
Para conter a crise, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu ordenou que seus ministros apresentem propostas até o final de outubro para atender às demandas dos estudantes. As prioridades incluem:
- Garantia de substituição de professores ausentes;
- Revisão da carga horária escolar (atualmente das 8h às 18h);
- Ampliação do intervalo de almoço;
- Reforma de prédios escolares antigos.
A tensão social é evidenciada por relatos de estudantes, como Hugo Vetzel, de Estrasburgo, que aponta a violência estatal como um sinal de falha democrática e de um distanciamento profundo entre a população jovem e as elites francesas.