Exército dos Estados Unidos e Lockheed Martin validam redirecionamento de mísseis GMLRS em pleno voo
O Exército dos Estados Unidos e a Lockheed Martin testaram a capacidade de redirecionar mísseis GMLRS, disparados por sistemas HIMARS, para atingir alvos em movimento. A tecnologia integra os sistemas Strigo e RIG-360 para atualizar coordenadas em tempo real durante o voo
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O Exército dos Estados Unidos e a Lockheed Martin validaram a capacidade de redirecionar mísseis GMLRS em pleno voo, superando a limitação anterior de atingir apenas alvos estáticos. Durante testes realizados no campo de tiro de White Sands, no Novo México, o projétil disparado por um sistema HIMARS recebeu novas coordenadas enquanto estava no ar, conseguindo interceptar um alvo em movimento.
A inovação permite que comandantes corrijam a trajetória de um ataque em tempo real caso um comboio mude de rota ou um lançador inimigo se desloque, evitando o desperdício de munição, desde que o objetivo permaneça dentro do raio de alcance do míssil.
Integração tecnológica e funcionamento
Até então, o GMLRS operava via GPS e navegação inercial para pontos fixos programados antes do disparo, sendo eficaz contra bunkers e depósitos, mas ineficiente contra alvos móveis. Para ilustrar a falha do sistema antigo, considera-se que um veículo a 50 km/h se deslocaria cerca de 830 metros durante um minuto de voo do míssil, saindo da zona de impacto letal.
Para solucionar isso, a Lockheed Martin integrou duas tecnologias preexistentes:
- Strigo: sensores de rádio frequência, buscadores e links de dados.
- RIG-360: sistema de comunicação terrestre que transmite dados de orientação, originalmente desenvolvido para os interceptores do sistema antiaéreo Patriot via rede de comando IBCS.
Esta prova de conceito sucede um teste realizado em outubro de 2023, no qual um protótipo do RIG-360 atualizou um link de dados que simulava a trajetória de um GMLRS, mas sem o disparo real de um projétil.
Vantagens estratégicas e expansão
A solução adotada evita a necessidade de instalar buscadores infravermelhos ou radares nos próprios mísseis, componentes que encarecem e complexificam a produção de cada unidade. A empresa informou que essa tecnologia de link de dados pode ser expandida para o míssil PrSM — utilizado pelos EUA contra o Irã este ano — e para a versão de alcance estendido do GMLRS, que atinge até 150 quilômetros.
Atualmente presente em 14 países, o sistema HIMARS é reconhecido pela facilidade de operação, permitindo que soldados sejam treinados rapidamente.
Desafios e contramedidas eletrônicas
A evolução do sistema ocorre em um contexto de constante adaptação tática. No conflito na Ucrânia, a Rússia desenvolveu métodos para neutralizar os ataques de GMLRS por meio de guerra eletrônica para interferir na navegação e pelo uso de defesas antiaéreas. Em resposta, as forças ucranianas passaram a utilizar iscas, diferentes tipos de munições e interferências eletrônicas próprias para retomar a eficácia dos disparos.
Apesar do avanço, a dependência de coordenadas GPS pode continuar sendo um ponto de vulnerabilidade. Além disso, a operação exige que haja um meio externo monitorando o alvo e transmitindo a posição em tempo real para o míssil.
Até o momento, a Lockheed Martin apresentou a capacidade como uma demonstração técnica, sem a divulgação de cronogramas de implementação ou contratos para a atualização dos sistemas HIMARS já operacionais.