Exército dos Estados Unidos planeja usar centenas de balões de alta altitude em conflitos na Europa
O Exército dos Estados Unidos planeja mobilizar de 200 a 300 balões de grande altitude na Europa para espionagem, comunicações e lançamento de drones. Os dispositivos operariam entre 18 km e 24 km de altitude como alternativa a satélites e suporte ao enlace de dados da OTAN. A implementação do projeto depende de aportes financeiros e da definição de fornecedores pelo Pentágono
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O Exército dos Estados Unidos planeja a mobilização de centenas de balões de grande altitude para atuar em um eventual conflito de larga escala no continente europeu. A estratégia, detalhada pelo general de brigada Steven Carpenter, do Comando Multidomínio Europa, prevê a dispersão de 200 a 300 desses dispositivos simultaneamente na estratosfera para missões de espionagem, manutenção de comunicações e desorientação de defesas adversárias.
Funcionalidades e capacidades táticas
Os balões serviriam como plataformas versáteis, operando como sensores eletrônicos, iscas e retransmissores de sinal. Um dos pontos centrais da operação é a capacidade de transportar e lançar air-launched effects (ALE), que englobam drones de reconhecimento, repetidores de comunicação e munições de ataque, conhecidos como drones kamikaze, para operar atrás das linhas inimigas.
A eficácia desses dispositivos reside na altitude de operação, situada entre 60.000 e 80.000 pés (aproximadamente 18 km a 24 km). Nessa camada, os balões possuem um campo de visão amplo para câmeras e radares, permitindo a vigilância de áreas restritas a partir do espaço aéreo internacional. Além disso, a altitude torna o ataque contra eles extremamente difícil, exigindo tecnologias específicas como o sistema antiaéreo S-400 ou caças de quinta geração.
Alternativa às comunicações via satélite
A aposta na estratosfera surge como uma medida de contingência para cenários onde as comunicações por satélite sejam neutralizadas ou danificadas. Para suprir essa lacuna, diversos balões seriam equipados com o Link 16, o enlace de dados tático utilizado pela OTAN.
A viabilidade operacional do sistema também depende de fatores climáticos e sazonais. O Exército americano monitora as correntes de vento e as rotas de voo conforme a estação do ano para determinar os locais e momentos mais vantajosos de lançamento, visando colocar em risco capacidades e cidades do adversário.
Contexto global e limitações logísticas
O uso de tecnologia similar já é observado em outros teatros de operação. A Ucrânia utiliza balões para lançar drones contra alvos russos, enquanto a Rússia os emprega como iscas para confundir defesas aéreas. No Pacífico, a China manteve a implantação de balões de espionagem que chegaram a sobrevoar os Estados Unidos e o Canadá em 2023.
Apesar de o conceito ter sido testado contra sistemas adversários modernos e apresentar um custo de perda aceitável, a implementação em larga escala enfrenta barreiras financeiras. O Pentágono ainda busca fornecedores e a viabilização do projeto depende de aportes de recursos. Para que a estratégia seja efetiva, o general Carpenter ressalta que os equipamentos precisariam estar posicionados na Europa antes que qualquer crise evolua para um conflito armado.