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Exército Iraniano Adverte que Atacará Usinas de Dessaínalização no Golfo Pérsico

24 de Março de 2026 às 18:03

Exército iraniano ameaça retaliar contra países que dependem de infraestrutura de combustível e energia. Em caso de ataque aos EUA, Teerã promete atacar usinas de dessalinização no Golfo Pérsico, afetando a água potável para milhões de pessoas. O Catar e o Bahrein são os países mais vulneráveis à crise, com 100% da sua água dependente das usinas de dessalinização

A crise geopolítica no Golfo Pérsico ganhou um tom alarmante com a advertência do exército iraniano. Caso os Estados Unidos atacem a infraestrutura de combustível e energia do Irã, Teerã promete retaliar atacando usinas de dessalinização e outros alvos estratégicos na região. A água potável de milhões de pessoas depende diretamente dessas instalações.

O Catar é o país mais vulnerável a essa crise, com 100% da sua água proveniente das usinas de dessalinização. O Bahrein também opera com 100% de dependência desde 2016, mantendo toda a água subterrânea reservada para planos de contingência. Nos Emirados Árabes Unidos, as usinas de dessalinização respondem por mais de 80% da água potável consumida no país.

A região está entre as mais áridas do planeta, com chuvas escassas e reservas naturais de água subterrânea que se esgotam a cada década. Para sustentar populações crescentes, os países investiram massivamente em tecnologia de dessalinização. Juntos, esses seis países produzem cerca de um terço da água dessalinizada do mundo.

A dependência dos países do Golfo na usinas de dessalinização não é uma escolha: é a realidade imposta pela geografia e pelo crescimento populacional. A Arábia Saudita, o maior país da região, tem cerca de 50% do abastecimento já proveniente de água dessalinizada em 2023.

A ameaça iraniana não existe no vácuo: a interrupção prolongada do fluxo pelo Estreito de Ormuz comprometeria a capacidade de manutenção das usinas. O caso do Golfo Pérsico tem uma escala inédita, onde atacar o abastecimento de água de um adversário não é apenas uma metáfora: sem dessalinização, países como Catar e Bahrein simplesmente não conseguem fornecer água potável para suas populações.

A comunidade internacional está diante de um dilema grave. Se um conflito militar entre EUA e Irã escalar a ponto de atingir infraestruturas civis, as usinas de dessalinização se tornam a linha vermelha humanitária da região. Organizações internacionais já alertam que ataques a infraestrutura de água são considerados crimes de guerra pelo direito internacional.

A questão é: será suficiente esse enquadramento legal para deter uma retaliação iraniana em meio a uma escalada de bombardeios? A água potável, hoje saída das usinas dessalinização a um custo bilionário, se tornaria o recurso mais escasso e disputado do Oriente Médio.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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