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Expansão de energia solar na Espanha ameaça habitats de aves raras na região da Andaluzia

26 de Outubro de 2026 às 12:12 3 min de leitura

A Espanha projeta liderança global em energia solar, com a Andaluzia prevendo 26.000 MW até 2030. No entanto, a instalação de painéis afeta habitats de aves como a avutarda comum, o sisão comum e o águilo-cinzento, especialmente em Sevilha, Cádiz, Granada e Málaga. Pesquisadores sugerem a priorização de terrenos degradados e a exclusão de áreas de alto valor ecológico

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Expansão de energia solar na Espanha ameaça habitats de aves raras na região da Andaluzia
Reuters

A expansão da energia solar fotovoltaica na Espanha, impulsionada pela alta radiação solar no sul do país, coloca a nação em uma posição de destaque global. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), o país deve se tornar a maior potência mundial em capacidade elétrica instalada, figurando entre as sete nações europeias com o crescimento mais acelerado nesse setor.

Na região da Andaluzia, a meta estabelecida pela Junta de Andaluzia é ambiciosa: saltar de 900 MW instalados em 2018 para 26.000 MW até 2030. Contudo, a necessidade de vastas extensões de terra para a instalação de painéis solares gera um conflito direto com a preservação da fauna local, especialmente em ecossistemas já fragilizados.

Impacto nos ecossistemas agroestepais

As paisagens agroestepais da Península Ibérica, compostas por pastagens, áreas alagadas e culturas de sequeiro, estão entre os ambientes mais ameaçados da Europa. A SEO BirdLife aponta que esses territórios vêm sendo fragmentados por décadas devido ao desenvolvimento urbano, reflorestamento e agricultura intensiva, processo que agora é acelerado pela implementação de infraestruturas energéticas.

Essa degradação afeta severamente aves de grande porte que dependem de vegetação rasteira e espaços abertos para migração, alimentação e reprodução. Três espécies, especificamente, enfrentam riscos crescentes devido à sobreposição de seus habitats com as áreas ideais para a instalação de usinas solares: a avutarda comum (Otis tarda), o sisão comum (Tetrax tetrax) e o águilo-cinzento (Circus pygargus).

Áreas críticas e vulnerabilidade das espécies

Um estudo conduzido pela Universidade de Málaga, baseado em censos das últimas duas décadas, revelou que a instalação de painéis fotovoltaicos coincide drasticamente com as zonas de conservação dessas aves. O impacto é mais severo em quatro províncias andaluzas, onde mais de 70% das instalações afetam áreas favoráveis às espécies:

  • Sevilha: 73,84% (concentrando quase metade de todas as instalações prejudiciais);
  • Cádiz: 73,81%;
  • Granada: 72,44%;
  • Málaga: 71,88%.

A situação é alarmante porque a Espanha abriga entre 50% e 60% das populações globais de sisão e avutarda, sendo o sul da Andaluzia um de seus principais refúgios. Já o águilo-cinzento sofre com a fragmentação de sua distribuição na região, agravada pela mecanização agrícola que destrói ninhos e reduz a oferta de presas.

Estratégias de conciliação ambiental

Para mitigar a contradição entre a transição energética e a preservação da biodiversidade, pesquisadores propõem um planejamento estratégico para a expansão das renováveis. A solução passa pela exclusão de áreas de alto valor ecológico e a priorização de terrenos já degradados para a instalação de projetos energéticos.

Além do zoneamento, as medidas sugeridas incluem a restauração de habitats naturais e o soterramento de linhas de transmissão elétrica, visando garantir a viabilidade a longo prazo das aves estepais sem interromper a meta de redução de combustíveis fósseis.

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