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Famílias escavam escombros por conta própria após terremotos causarem milhares de mortes na Venezuela

10 de Julho de 2026 às 12:31

Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 causaram mais de 3.800 mortes e milhares de desaparecidos na Venezuela, com maior impacto em Playa Grande. Duas semanas após o evento, civis realizam buscas manuais por corpos nos escombros. Familiares denunciam a falta de apoio governamental e a baixa qualidade das construções

Famílias escavam escombros por conta própria após terremotos causarem milhares de mortes na Venezuela
RAUL ARBOLEDA / AFP

Um duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorrido às 18h04 do dia 24 de junho, devastou a Venezuela, resultando em mais de 3.800 mortes e milhares de desaparecidos. A região de Playa Grande, no estado de La Guaira, foi a área mais impactada pelo desastre. Duas semanas após a catástrofe, familiares de vítimas continuam a escavar escombros por conta própria, temendo que a remoção mecanizada das ruínas impeça a recuperação dos corpos.

Ciro Ocando é um dos civis que mantém um acampamento provisório diante dos prédios destruídos. Ao lado de irmãos e outros voluntários, ele financiou a compra de geradores, ferramentas e iluminação para cavar túneis sob o concreto. Após mais de uma semana de buscas, o grupo alcançou o apartamento onde viviam seus filhos, de 13 e 18 anos, e a tia dos jovens. A descoberta de um álbum de fotos no local confirmou a localização da residência, embora a família agora busque apenas recuperar os corpos, desistindo da esperança de resgate com vida.

A operação improvisada ocorre em condições precárias, com colchões e roupas expostos ao sol e ao lixo acumulado no entorno. O esforço é compartilhado por outras famílias, como a de Lázaro Cardozo, que procura a sobrinha de segundo grau, Fabiana.

A situação gerou graves denúncias contra a gestão pública. Damián Molero, irmão de Ocando, afirma que a Guarda Nacional e o Exército realizaram apenas simulações com equipamentos novos, sem oferecer apoio efetivo às buscas. A crítica se estende à qualidade das construções, projetos habitacionais populares implementados durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Cardozo, de 67 anos, atribui o colapso dos edifícios à negligência técnica e ao populismo, alegando que as obras foram erguidas sem bases sólidas para garantir votos. As cobranças por agilidade e investimento na recuperação dos desaparecidos são direcionadas também à presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro após a queda de Maduro.

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