Famílias transportam vítimas de terremotos em veículos particulares devido à crise hospitalar na Venezuela
Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela deixaram 1.430 mortos, 3.000 feridos e 3.100 desabrigados. Devido ao colapso hospitalar, famílias transportaram vítimas em veículos particulares até o necrotério de Caracas. O Serviço Nacional de Medicina Legal recebeu ao menos 200 cadáveres desde sexta-feira
O colapso do sistema hospitalar na Venezuela forçou famílias a transportarem vítimas de terremotos em veículos particulares até o necrotério de Caracas. No sábado (27), caminhonetes carregadas com corpos envoltos em sacos brancos e lençóis chegaram à sede do Serviço Nacional de Medicina Legal, onde, desde sexta-feira (26), foram recebidos ao menos 200 cadáveres.
A crise logística reflete a gravidade dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorridos na quarta-feira (24). O governo venezuelano contabilizou, em balanço divulgado às 14h20, 1.430 mortos, mais de 3.000 feridos e 3.100 desabrigados.
A cidade de La Guaira, epicentro do desastre, registrou cenas de precariedade extrema. Yessica Mendoza, que perdeu a filha Yesimar Rodríguez, de 25 anos, e o genro Jhomel Anaya, de 26, relatou que a decisão de levar o corpo da filha por meios próprios ocorreu após constatar que os mortos estavam dispostos no chão do hospital Catia la Mar.
Ambas as vítimas morreram soterradas pelo desabamento do prédio onde residiam. O corpo de Anaya foi localizado na quinta-feira, enquanto o de Rodríguez foi encontrado na sexta-feira. Devido à inexistência de serviços funerários disponíveis, Mendoza precisou utilizar um carro específico para o transporte da filha até a capital.