Fiji declara estado de emergência nacional após aceleração de infecções por HIV
Fiji decretou estado de emergência nacional devido ao aumento de casos de HIV. O governo implementará a distribuição de agulhas e seringas para conter o vírus, impulsionado pela prática de *bluetoothing
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Fiji declarou estado de emergência nacional após a aceleração de infecções por HIV, consolidando o arquipélago como um dos principais centros de expansão da epidemia globalmente. A medida reflete a gravidade de um surto que o Ministério da Saúde do país classificou, em janeiro, como uma crise nacional, comprometendo a saúde pública da região.
Como resposta imediata, o governo de Fiji planeja implementar um programa de distribuição de agulhas e seringas, visando conter a propagação do vírus. A situação evidencia que, apesar dos progressos médicos, o HIV e a Aids permanecem como ameaças críticas em localidades específicas, onde a falta de controle pode levar a surtos rápidos.
O impacto do bluetoothing na transmissão
Um dos fatores que impulsionam a crise em Fiji é a prática do bluetoothing, que consiste em injetar em outra pessoa o sangue de alguém que acabou de consumir drogas intravenosas. O objetivo dos usuários é potencializar o efeito da substância e reduzir custos, tornando as drogas mais rentáveis.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que esse método gera um risco excepcionalmente alto de transmissão não apenas de HIV, mas também de infecções bacterianas graves e hepatites B e C. Embora a OMS tenha indicado, em avaliação realizada em dezembro do ano passado, que não havia evidências de que a prática fosse generalizada em Fiji — com apenas dois relatos positivos em 56 entrevistas —, agentes comunitários e ONGs locais contestam esses dados.
Kalesi Volatabu, diretora da ONG Drug Free Fiji, afirma que a pobreza e o estigma social em torno do uso de drogas dificultam o enfrentamento do problema e a coleta de dados reais. Segundo Volatabu, a dinâmica de compartilhamento de sangue pode infectar rapidamente grupos inteiros, transformando poucos usuários em dezenas de novos casos em curto espaço de tempo.
Cenário global e riscos regionais
O fenômeno do compartilhamento direto de sangue não é exclusivo de Fiji. Práticas semelhantes, como o flashblood na Tanzânia, já foram documentadas. Na África, países como Zimbábue, África do Sul e Lesoto também registram a ocorrência do bluetoothing. No Lesoto, que detém a segunda maior taxa de prevalência de HIV no mundo, o vírus é a principal causa de morte entre mulheres.
A Unaids estima que 41 milhões de pessoas vivam com o vírus globalmente. Em 2025, houve um aumento de novas infecções em 21 países, incluindo Brasil, Egito, Filipinas, Quênia e Paquistão.
Tratamento e barreiras financeiras
Atualmente, a terapia antirretroviral (TARV) é o tratamento recomendado para reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, o que protege o sistema imunológico e impede a transmissão sexual. No entanto, a sustentabilidade desses avanços enfrenta barreiras políticas. A diretora-geral da Unaids, Winnie Byanyima, alertou que a suspensão de ajuda externa pelos Estados Unidos poderia resultar em mais de seis milhões de mortes e 2 mil novas infecções diárias nos próximos quatro anos.
A Aids manifesta-se quando o sistema imunológico é severamente danificado pelo vírus, permitindo a progressão de doenças fatais. Além do compartilhamento de agulhas e do bluetoothing, a transmissão ocorre por fluidos corporais em relações sexuais desprotegidas ou de forma vertical, da mãe para o filho, durante a gestação, parto ou amamentação.