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Flórida utiliza coelhos robóticos para atrair e capturar pitões birmanas em pântanos

02 de Outubro de 2026 às 06:21 3 min de leitura

A proliferação de pitões birmanas na Flórida reduziu drasticamente populações de gambás e gatos selvagens. Para combater a espécie, o estado utiliza monitoramento por DNA ambiental e iscas robóticas que simulam coelhos. A meta é diminuir a população de predadores para proteger a fauna nativa

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Flórida utiliza coelhos robóticos para atrair e capturar pitões birmanas em pântanos
YouTube/NBC 6

A proliferação da pitão birmana (Python bivittatus) nos pântanos da Flórida consolidou-se como um dos principais gargalos ambientais do sul dos Estados Unidos. Originárias do sudeste asiático, as serpentes chegaram ao país via mercado de animais de estimação e, após liberações acidentais ou intencionais, estabeleceram uma população reprodutora estável durante o século XXI.

O impacto sobre a fauna local é severo. Entre 2003 e 2011, a expansão desses predadores, que podem chegar a 6 metros de comprimento e 90 kg, causou a extinção de coelhos e a redução drástica de outras espécies nativas: a população de gambás caiu mais de 99% e a de gatos selvagens recuou 87,5% nas áreas afetadas.

Estratégias de detecção e controle

A dificuldade em localizar os répteis na vegetação densa levou as autoridades a implementarem medidas rigorosas e tecnológicas. Desde 2021, a Flórida proíbe a compra, venda ou transporte da espécie, exigindo o registro de exemplares mantidos como pets.

Para o monitoramento em campo, o estado utiliza:

  • Câmeras de infravermelho próximo;
  • Análise de DNA ambiental (em 2019, amostras de água confirmaram a presença de pitões em 25 de 28 pontos analisados);
  • Transmissores de rádio instalados em machos para rastrear fêmeas durante o período reprodutivo.

Inovação com iscas robóticas

Buscando otimizar a captura, a Universidade da Flórida desenvolveu um sistema de iscas artificiais. Testes anteriores com coelhos vivos conseguiram atrair 21 serpentes, com média de uma detecção semanal, porém a logística de manter animais vivos nos pântanos mostrou-se inviável.

A solução atual consiste em 40 coelhos de pelúcia modificados. Os dispositivos possuem motores para simular vibrações e movimentos, sistemas de aquecimento para mimetizar a temperatura corporal e painéis solares para autonomia energética. O projeto prevê a inclusão de sinais olfativos e a integração com um sistema de inteligência artificial capaz de alertar as equipes de captura no momento em que o predador se aproximar.

Robert McCleery, professor de Ecologia e Conservação da Vida Selvagem da Universidade da Flórida, afirma que a meta é replicar todos os processos de um animal real para concentrar as serpentes em pontos específicos, evitando a varredura exaustiva de grandes áreas. Mike Kirkland, biólogo especializado em espécies invasoras, ressalta que a técnica é ideal para atrair as pitões para fora de seus esconderijos em zonas de alta relevância ecológica.

Perspectivas de erradicação

Embora a eliminação total da espécie seja considerada extremamente difícil, o foco atual é a redução populacional para aliviar a pressão sobre os mamíferos nativos. Os dados sobre a eficácia dos coelhos robóticos serão divulgados em novembro, e a localização dos aparelhos é mantida em sigilo para evitar interferências externas.

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