Força Aérea dos Estados Unidos estuda transformar bombardeiros em plataformas de combate aéreo-aéreo
A Força Aérea dos Estados Unidos estuda adaptar bombardeiros, como o B-21 Raider, para combates aéreo-aéreo para enfrentar a China. A estratégia visa suprir a necessidade de 1.509 aeronaves de combate até 2035, integrando mísseis de longo alcance e drones
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A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) planeja expandir sua capacidade de interceptação aérea para enfrentar a crescente superioridade numérica da China, que tem acelerado a produção de caças como o J-20. Em relatório enviado ao Congresso em 16 de outubro, a instituição revelou que estuda transformar seus bombardeiros em plataformas capazes de derrubar outras aeronaves em combates aéreo-aéreo.
A medida surge para suprir um déficit crítico na frota de caças. A USAF estima que precisará de 1.509 aeronaves de combate até 2035, superando a previsão anterior de 1.369 para 2030. Atualmente, a frota americana sofre com o envelhecimento, apresentando uma média de idade superior a 31 anos e uma taxa de disponibilidade de voo de apenas 53,9%, enquanto o padrão exigido é de 70%.
Estratégias de modernização e o papel do B-21 Raider
Para preencher essa lacuna, a Força Aérea avalia três caminhos principais: a adaptação de bombardeiros, a aquisição de novos caças — possivelmente versões aprimoradas do F-16 — e a integração massiva de drones de combate.
Embora o relatório não especifique quais modelos de bombardeiros seriam adaptados, o B-21 Raider, novo modelo stealth da Northrop Grumman, é apontado como o candidato ideal. A aeronave combina grande altitude, longo alcance e baixa detectabilidade por radar, permitindo que atue na retaguarda, disparando mísseis sem a necessidade de entrar em duelos diretos com caças adversários.
Para viabilizar essa operação, a USAF busca mísseis de longo alcance. Em junho, a força solicitou armamentos capazes de atingir alvos a 1.852 quilômetros (1.000 milhas náuticas). A vantagem dos bombardeiros reside na capacidade de carga, permitindo o transporte de mísseis maiores e em maior quantidade do que os caças convencionais.
Integração com sistemas não tripulados
A estratégia prevê que o B-21 Raider funcione como um centro de comando para os Collaborative Combat Aircraft (CCA), drones projetados para identificar alvos e transmitir dados para a aeronave tripulada.
Nesse ecossistema de combate, destacam-se dois projetos:
- YFQ-44A Fury: Drone que já foi controlado em voo por um piloto de F-22.
- LongShot: Projeto da DARPA para um drone lançado a partir de aviões (como bombardeiros) para disparar mísseis aéreo-aéreo, embora ainda aguarde testes de voo iniciais.
Desafios orçamentários e operacionais
A implementação dessas capacidades enfrenta obstáculos financeiros e técnicos. A USAF planeja adquirir ao menos 100 unidades do B-21 Raider — número que o Comando Estratégico sugere subir para 145 —, com as primeiras entregas na base de Ellsworth previstas para 2027.
Esses investimentos competem diretamente com a verba destinada ao F-47, o futuro caça de sexta geração, e à meta de possuir 500 drones CCA até 2032. Atualmente, o B-21 segue em fase de testes com dois exemplares na base de Edwards, na Califórnia, enquanto debates persistem sobre sua eficácia total diante das exigências da guerra moderna.
O tenente-general David Tabor, responsável por planos e programas, reforça que a composição final da frota dependerá da evolução tecnológica e das novas capacidades integradas às plataformas aéreas.