França, Alemanha e Espanha encerram projeto de caça de sexta geração após impasse industrial
França, Alemanha e Espanha encerraram o projeto de caça de sexta geração FCAS, estimado em 100 bilhões de euros. A decisão ocorreu após impasses hierárquicos entre Dassault e Airbus, além de divergências técnicas e financeiras. A Airbus iniciou negociações com a sueca Saab para desenvolver uma nova plataforma conjunta
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O projeto do Future Combat Air System (FCAS), iniciativa de 100 bilhões de euros para o desenvolvimento de um caça de sexta geração liderado por França, Alemanha e Espanha desde 2017, chegou ao fim. O encerramento foi formalizado pelo chanceler alemão Friedrich Merz durante encontro com o presidente Emmanuel Macron na cúpula UE-Bálcãs Ocidentais, em Montenegro, após pressões do sindicato IG Metall e da associação aeroespacial alemã BDLI para a divisão do programa em projetos nacionais a partir de fevereiro de 2026.
A ruptura foi motivada por um impasse hierárquico entre as indústrias aeroespaciais. A Dassault, coordenadora do projeto de drones Neuron, exigia autoridade de comando, enquanto a Airbus Defence and Space demandava uma estrutura de colaboração interdependente para desenvolver a própria expertise em fabricação de caças. Embora ambas as empresas tenham investido 3,2 bilhões de euros em estudos preliminares, o impasse impediu a assinatura do contrato da Fase 2, estimado em 5 bilhões de euros, que viabilizaria protótipos de voo para 2029 ou 2030.
Divergências técnicas e financeiras também inviabilizaram a cooperação. A França exigia que a aeronave operasse em porta-aviões e transportasse armamento nuclear, requisitos rejeitados publicamente pela Alemanha. A Dassault estimou que um caça exclusivamente francês custaria menos de 50 bilhões de euros, valor que poderia ser coberto por exportações do Rafale. Contudo, o Banco da França alertou que um déficit orçamentário superior a 5% em 2026 comprometeria a estabilidade financeira do Estado francês.
Diante do colapso, a Airbus Defence and Space, por meio de seu CEO Michael Schoellhorn, iniciou negociações com a Saab, da Suécia, para criar uma nova plataforma de caça conjunta. O objetivo é evitar a dependência de aeronaves dos Estados Unidos, como ocorreu com a quinta geração (F-35) e possivelmente com o futuro F-47. A Saab já desenvolve sucessores para o Gripen, abrangendo plataformas tripuladas e drones de combate. A parceria poderia incluir a plataforma de alerta precoce GlobalEye, já adquirida por França e Canadá.
Apesar do fim do caça, negociadores avaliam se componentes periféricos, como a rede de comunicação segura de dados para o campo de batalha, podem ser mantidos sob a marca FCAS. O cenário atual reflete a fragmentação da defesa europeia, remetendo à saída da França do consórcio Eurofighter em 1985, que resultou na criação de aeronaves distintas (Rafale e Eurofighter).
Paralelamente, a corrida por drones autônomos avança com propostas da Airbus (Wingman e Kratos Valkyrie) e de consórcios como Boeing e Rheinmetall (MQ-28 Ghost Bat), além do programa GCAP, liderado por Reino Unido, Japão e Itália. Schoellhorn defende que a Europa deve diversificar seus nichos tecnológicos para garantir versatilidade e escala.
O prazo para a definição de um novo caminho é o final deste ano. Sem uma decisão política imediata, a Europa corre o risco de não ter aeronaves de sexta geração operacionais antes da década de 2040, enviando um sinal de fragilidade defensiva diante da agressividade russa e da pressão por autonomia militar vinda de Washington.