Governo britânico rejeita proposta de Donald Trump para realizar bloqueio naval no Estreito de Ormuz
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, rejeitou participar do bloqueio naval no Estreito de Ormuz determinado por Donald Trump. França e Reino Unido planejam uma conferência para discutir a liberdade de navegação, enquanto o barril de petróleo Brent subiu 5,5%
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, recusou-se a integrar o bloqueio naval no Estreito de Ormuz anunciado por Donald Trump. A decisão ocorre após a Casa Branca sinalizar que outras nações participariam da operação. Starmer afirmou que, apesar da pressão considerável, o governo britânico não será arrastado para um conflito armado.
A medida de bloquear a passagem de navios na saída do estreito foi determinada pelo presidente dos Estados Unidos após o fracasso de negociações de paz em Islamabad, no Paquistão, ocorrido no último final de semana. De acordo com o Comando Central dos EUA, a restrição será aplicada a embarcações de todas as nacionalidades que acessem portos e áreas costeiras iranianas, abrangendo o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
Em resposta, as Forças Armadas do Irã ameaçaram retaliar portos no Mar do Omã e no Golfo Pérsico caso a segurança de suas instalações seja comprometida, assegurando que adversários do país não conseguirão atravessar Ormuz.
Enquanto os Estados Unidos pressionam aliados, a França e o Reino Unido planejam organizar, nos próximos dias, uma conferência para discutir a restauração da liberdade de navegação. O presidente Emmanuel Macron propôs a criação de uma missão multinacional pacífica e estritamente defensiva, composta por países dispostos a colaborar, mantendo-se afastada das partes beligerantes.
O Japão, dependente do petróleo do Golfo Pérsico, também sofre pressão de Washington. O chefe de gabinete japonês, Minoru Kihara, defendeu que a solução para a segurança da navegação e a desescalada da tensão ocorram por meio da diplomacia.
A resistência de aliados em aderir à estratégia norte-americana provocou reações agressivas de Donald Trump, que classificou os países de "covardes" e ameaçou deixar a Otan.
No plano multilateral, a China e a Rússia vetaram, na semana passada, uma resolução apresentada pelo Bahrein que autorizaria o uso da força para reabrir a região. O porta-voz do ministério das relações exteriores chinês, Guo Jiakun, argumentou que a cessação do conflito militar no Oriente Médio é a condição primária para resolver a instabilidade no estreito.
O impacto econômico foi imediato: o barril de petróleo tipo Brent subiu cerca de 5,5% nesta segunda-feira, retornando ao patamar de US$ 100. A região é estratégica, pois por ela transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás mundiais, volume que, antes do início da guerra, chegava a 20 milhões de barris diariamente.