Governo de Donald Trump cria cota de vistos para refugiados brancos da África do Sul
O governo de Donald Trump ampliou o limite anual de vistos para refugiados nos Estados Unidos de 7.500 para 17.500 pessoas. A medida cria 10 mil vagas destinadas exclusivamente a cidadãos brancos da África do Sul
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/U/V/1dpbGmROG8nrcB8BC4mA/2025-05-21t173627z-1468231095-rc2gmea1kzlj-rtrmadp-3-usa-safrica.jpg)
O governo de Donald Trump decidiu ampliar o limite anual de vistos para refugiados nos Estados Unidos com o objetivo específico de acolher cidadãos brancos da África do Sul. Conforme documento da Casa Branca obtido pela agência Reuters nesta terça-feira (26), a medida estabelece um excedente de 10 mil vagas, que serão destinadas exclusivamente a esse grupo. Com a alteração, o teto de admissões anuais, que atualmente é de 7.500 pessoas, passará para 17.500.
A decisão baseia-se na tese do presidente norte-americano de que existe um "genocídio branco" e uma onda de violência racial contra sul-africanos brancos e africâners — descendentes de alemães, franceses e holandeses. Trump defende a tese de perseguição, especialmente contra fazendeiros, em um contexto de discussões sobre reforma agrária na África do Sul, embora não tenha apresentado provas para tais alegações.
O embate diplomático sobre o tema ocorreu em 2025, durante encontro na Casa Branca entre Trump e o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa. Na ocasião, o mandatário dos EUA exibiu vídeos com supostas perseguições e imagens de corpos sendo removidos por equipes humanitárias. Ramaphosa refutou as acusações, afirmou desconhecer os casos e questionou a origem das imagens. O governo sul-africano nega a perseguição a brancos, ressaltando que as taxas de homicídio no país, superiores à média global, vitimam majoritariamente a população negra.
A tensão entre as nações levou Trump a expulsar o embaixador da África do Sul nos EUA no ano passado. Em maio de 2025, 59 sul-africanos brancos entraram nos Estados Unidos como refugiados, porém fora de qualquer cota oficial, diferentemente do mecanismo agora proposto.
Embora os Estados Unidos sejam signatários do protocolo baseado no Estatuto do Refugiado — que autoriza vistos para quem foge de perseguições por etnia, cor, religião, raça ou orientação sexual —, não há precedentes de a administração norte-americana ter criado uma cota de vistos destinada a um grupo racial específico. Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre o plano e não foi divulgada a data de início da vigência dessa nova cota.