Governo do Irã define cronograma para as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei
O governo do Irã agendou as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei entre 6 e 9 de julho, com sepultamento em Mashhad. O líder morreu em 28 de fevereiro em ataques de Israel e Estados Unidos e foi sucedido pelo filho, Mojtaba Khamenei
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O governo do Irã definiu o cronograma para as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, que terão início em Teerã no dia 6 de julho. O rito de despedida seguirá por diversas cidades, com procissões em Qom no dia 7 e, no dia 8, nas cidades iraquianas de Najaf e Karbala. O sepultamento final ocorrerá em 9 de julho, em Mashhad, no nordeste do país. A data de início do funeral foi alterada, pois a previsão anterior era para o dia 4 de julho, embora o dia do enterro tenha sido mantido.
A decisão de realizar o sepultamento pouco mais de quatro meses após o óbito diverge da lei islâmica, que preconiza a cova em até 24 horas, permitindo-se exceções em contextos de guerra. Khamenei, que governou a República Islâmica por 36 anos, morreu em 28 de fevereiro, vítima de ataques aéreos conduzidos por Israel e Estados Unidos. Ambas as nações confirmaram que a operação militar visava derrubar o governo iraniano.
O cargo de líder supremo foi assumido por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei. O sucessor ainda não realizou aparições públicas e não há informações confirmadas sobre seu estado de saúde.
Nascido em 1939 em Mashhad, Ali Khamenei consolidou sua trajetória política na década de 60, atuando contra o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi. Aproximou-se de Ruhollah Khomeini em Qom, tornando-se peça central da Revolução Islâmica de 1979. Após sobreviver a um atentado a bomba em junho de 1981, que resultou na paralisia de seu braço direito, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos. Assumiu a liderança suprema do país após a morte de Khomeini, em 1989.
Durante seu comando, Khamenei implementou a criação de estruturas paralelas ao Estado para ampliar seu controle, como a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), que opera à margem dos militares tradicionais. Sua gestão foi marcada pelo fomento ao culto à personalidade, repressão violenta a protestos, perseguição a intelectuais, jornalistas e a execução de opositores no exílio, além de manter políticas rígidas de costumes.
No campo financeiro, uma investigação da agência Reuters em 2018 apontou que o líder controlava um império de 95 bilhões de dólares, originado do confisco de propriedades de cidadãos e minorias. Na ocasião, o gabinete de Khamenei negou as acusações, mas a apuração indicou que os recursos eram destinados ao financiamento de atividades políticas, e não a luxos pessoais.