Governo do Irã define cronograma para o funeral do líder supremo Ali Khamenei
O governo do Irã agendou o funeral do líder supremo Ali Khamenei entre 4 e 9 de julho, com cerimônias em Teerã, Qom e Mashhad. O sucessor é seu filho, Mojtaba Khamenei. O líder morreu em fevereiro durante ataques de Israel e Estados Unidos
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O governo do Irã definiu o cronograma para o funeral de Ali Khamenei, líder supremo morto em fevereiro durante ataques realizados por Israel e Estados Unidos. As cerimônias terão início em Teerã, no dia 4 de julho — data que coincide com a celebração da independência norte-americana, país que mantém estado de guerra com a República Islâmica. O rito seguirá com passagens pela cidade santa de Qom, em 7 de julho, e será encerrado com o sepultamento em Mashhad, no nordeste do país, no dia 9 de julho. Embora a lei islâmica determine o enterro em até 24 horas após o óbito, a legislação permite exceções em períodos de conflito.
Aos 86 anos, Khamenei deixou um legado de 36 anos no comando do Estado. Ele foi sucedido por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que ainda não realizou aparições públicas e tem sua condição de saúde mantida em sigilo.
A trajetória política de Khamenei começou na década de 1960, com a atuação em movimentos contra o regime do xá Mohammad Reza Pahlevi. Formado religiosamente em Qom, integrou a organização do aiatolá Ruhollah Khomeini e atuou na linha de frente da Revolução Islâmica de 1979. Em junho de 1981, sobreviveu a um atentado a bomba que resultou na paralisia definitiva de seu braço direito. Quatro meses após o ataque, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos, cargo que ocupou até 1989, quando a Assembleia de Peritos o nomeou líder supremo após a morte de Khomeini.
Durante sua gestão, Khamenei consolidou o controle estatal ao criar estruturas paralelas às instituições oficiais, como a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), que opera à margem dos militares tradicionais. Essa estratégia permitiu a ampliação de sua influência sobre as políticas nacionais e a promoção de um culto à sua personalidade.
O governo de Khamenei foi marcado por uma postura rígida quanto aos costumes e pela repressão violenta a sucessivas ondas de protestos, além de perseguições a intelectuais, jornalistas e a execução de opositores no exílio. No campo financeiro, uma investigação da agência Reuters em 2018 apontou que o líder controlava um império de 95 bilhões de dólares, originado do confisco de propriedades de cidadãos e minorias. Na ocasião, o gabinete de Khamenei negou as acusações, enquanto a apuração indicava que os recursos eram destinados ao financiamento de atividades políticas, e não ao luxo pessoal.