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Haiti enfrenta a pior crise humanitária do hemisfério ocidental antes de jogo contra o Brasil

19 de Junho de 2026 às 06:06

Brasil e Haiti se enfrentam nesta sexta-feira (18) pela Copa do Mundo, competição na qual o Haiti retorna após 52 anos. O país caribenho vive crise humanitária com domínio de gangues e instabilidade política. O governo de Donald Trump proibiu a entrada de nacionais haitianos nos Estados Unidos por razões de segurança

Haiti enfrenta a pior crise humanitária do hemisfério ocidental antes de jogo contra o Brasil
UN/MINUSTAH/Jesús Serrano Redondo

O Haiti chega ao confronto contra o Brasil, nesta sexta-feira (18), imerso na pior crise humanitária do hemisfério ocidental. De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a nação caribenha enfrenta um cenário devastador, onde a violência de gangues criminosas domina as ruas, resultando em milhares de mortes e milhões de pessoas em situação de fome.

A desestabilização política do país, o mais pobre das Américas, intensificou-se em 2021 com o assassinato do presidente Jovenel Moïse. A falência do governo consolidou-se em janeiro de 2023, quando todos os mandatos do Parlamento foram encerrados, gerando um vácuo de poder que transformou o Haiti em um Estado falido. Nesse contexto, gangues assumiram o controle de quase toda a capital, Porto Príncipe, e passaram a dominar as exportações e 90% da economia nacional, agravando a crise econômica iniciada em 2022.

No plano executivo, Ariel Henry, que assumiu após a morte de Moïse, renunciou no exílio em 2024. Em abril do mesmo ano, lideranças políticas acordaram a criação de um Conselho de transição para tentar restaurar a ordem, mas a eficácia da medida permanece incerta, tendo ocorrido nova troca de comando. Atualmente, o cargo de primeiro-ministro é ocupado por Alix Didier Flis-Aimé.

Historicamente, a proximidade entre Brasil e Haiti foi fortalecida por auxílios em catástrofes. Em 2010, após um terremoto de magnitude 7.0 que deixou centenas de milhares de mortos e milhões de desabrigados, o governo brasileiro integrou as operações de ajuda humanitária lideradas pela ONU. Em 2021, o Brasil enviou militares e 11 toneladas de suprimentos após novo sismo de magnitude 7,2. No esporte, a conexão foi marcada em 2004, quando a seleção brasileira disputou um amistoso em Porto Príncipe que interrompeu uma guerra civil, evento denominado "Jogo da Paz" e que mobilizou um milhão de pessoas nas ruas.

Atualmente, as seleções dividem o grupo C da Copa do Mundo. O Brasil soma um ponto, após empatar com Marrocos na estreia, enquanto o Haiti perdeu para a Escócia. O retorno dos caribenhos ao torneio, após 52 anos, altera a dinâmica de torcida local, que historicamente apoiava a equipe brasileira.

Paralelamente ao evento esportivo, cidadãos haitianos enfrentam restrições migratórias nos Estados Unidos. Por meio de uma ordem assinada em junho de 2025, o governo de Donald Trump proibiu a entrada de nacionais do Haiti e de outros 18 países, alegando razões de segurança nacional e prevenção a ataques terroristas. A medida atinge também torcedores do Irã e Senegal.

Para torcedores da Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia, os EUA suspenderam a exigência de caução de até US$ 15 mil para a entrada de quem possua ingressos. No entanto, imigrantes latino-americanos e haitianos que já residem nos Estados Unidos relatam medo de serem detidos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) caso compareçam às partidas.

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